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Faltam 30 dias para eu ir embora — Sr. Gabriel perdeu o controle romance Capítulo 1089

— Nada demais, só estava batendo um papo rápido com a Cris. — Respondeu Paulo.

Renato assentiu. Ele havia escutado algumas palavras soltas, mas não comentou nada ali, apenas disse:

— Tio, meus pais estão procurando o senhor.

Paulo entendeu o recado. Voltou-se para Beatriz.

— Cris, então vou indo. Qualquer coisa, você pode me procurar a qualquer momento.

Beatriz levantou o rosto, ainda sem responder, quando Renato entrou na conversa:

— Obrigado pela preocupação, tio, de verdade. Mas ela é minha irmã. Se tiver qualquer problema, sou eu quem resolve.

Paulo olhou para Renato, e ficou claro que a frase tinha mais camadas do que parecia.

Ele até suspeitou que Renato talvez tivesse escutado parte da conversa.

Mas não havia o que fazer. Limitou-se a responder um simples:

— Certo.

E se afastou.

Quando ele desapareceu no corredor, Renato deu dois passos à frente e se colocou diante de Beatriz.

— Paulo é o tio do Gabriel. Claro que estaria do lado dele. Foi por causa dele que o Gabriel conseguiu entrar no salão hoje de manhã. — Disse Renato, sem rodeios.

Beatriz encontrou o olhar do irmão e explicou:

— Ele não disse nada demais. Também não tentou me convencer a voltar com o Gabriel.

— Se tivesse tentado, eu ia contar pra mamãe, pra papai e pra tia. — Comentou Renato, com a maior naturalidade.

Questões de adultos eram resolvidas entre adultos. E ele tinha plena confiança de que Paulo jamais venceria um trio daqueles.

— E, mesmo que ele não tenha insistido pra você voltar com o Gabriel, eu não quero ouvir nada da boca dele que envolva aquele cara. — Acrescentou Renato, firme. — Você já sofreu demais. Chegou a quase perder a vida. Não quero ver você passando por isso de novo.

Beatriz assentiu devagar.

Ela sabia. Sabia melhor do que qualquer pessoa, afinal, foi ela quem viveu tudo aquilo.

Queimaduras.

Fraturas.

Intoxicação por gás…

As marcas no corpo tinham cicatrizado, mas a dor… Essa ficava guardada num canto do peito, impossível de esquecer.

— O que exatamente vocês conversaram? — Perguntou Renato outra vez.

Mas, antes que qualquer som saísse, uma voz surgiu atrás deles:

— Mesmo sendo irmão da Bia, não é tudo que ela precisa te contar, né? — Disse Letícia. — E dá pra ver que ela tá sem jeito pra falar. E você aí, insistindo como se fosse arrancar a verdade na marra.

Renato virou-se para encará-la.

As palavras dela o atingiram em cheio e ele ficou em silêncio, comprimindo os lábios.

— Pode ir. — Continuou Letícia, caminhando até eles e cruzando os braços, firme. — Comigo aqui já é o suficiente. Eu sou amiga dela, conversar comigo é muito mais leve. Você só deixa a Bia mais pressionada.

Sem nenhuma cerimônia, Letícia praticamente assumiu o comando e o expulsou dali.

Renato a encarou por dois segundos, frustrado. Mas, no fim, não teve escolha.

Virou-se para Beatriz e disse apenas:

— Qualquer coisa, me chama.

Beatriz assentiu.

Vendo isso, Renato sentiu uma pontada amarga de desânimo.

Era óbvio que ela não queria dividir aquilo com ele.

Depois que ele se afastou, Letícia fechou a porta do terraço com cuidado, quase protetora, e se virou para a amiga.

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