— Quem tem duas vidas? Por acaso o tio me poupou? — Felipe olhou para Adriano com um sorriso frio.
Adriano juntou as mãos. — O tio te pede perdão, garanto que nunca mais farei isso!
— E ainda haveria uma próxima vez?
— Não, não!
Felipe baixou os olhos por um momento e, quando os ergueu novamente, seu olhar estava muito mais afiado.
— Sei que você foi enganado por Rogério. A pessoa que realmente queria me matar era ele, mas essa ideia foi dada a ele por outra pessoa, não é?
— Bem...
— Quem foi?
Adriano franziu os lábios, hesitando em falar.
Felipe deu um sorriso de canto e pegou o celular para fazer uma chamada de vídeo. A outra parte atendeu rapidamente, e ele mostrou a tela para Adriano.
Do outro lado estava o galpão onde Rogério se escondia, agora em chamas. O fogo era tão intenso que o galpão parecia prestes a desabar a qualquer momento.
— Foi... foi Nicolas!
Ao ouvir esse nome, Serena ergueu a cabeça, atônita.
Ela nunca imaginou que a pessoa que queria casar a neta com Felipe era Nicolas e que quem queria matá-lo também era Nicolas. Seria o famoso “se não posso ter, destruo”?
— Felipe, seu primo já te odiava por ter tirado tudo dele, então, quando Nicolas o instigou, ele perdeu a cabeça. Eu pensei que ele só queria te causar um pequeno problema para desabafar, juro que não sabia que ele mandaria um caminhão te atropelar. Se eu soubesse, seu tio o teria impedido!
Adriano exibia um ar de culpa, e suas palavras pareciam sinceras.
Mas assim que ele terminou de falar, um estrondo soou do celular. O galpão desabou, lançando faíscas para o céu enquanto as chamas consumiam tudo.
Ao ver a cena, Adriano ficou paralisado de choque.
— Rogério, Rogério!
— Meu filho! Meu filho! — Giovanna gritou em prantos, desabando no chão.
Passado o choque, Adriano se virou furioso para Felipe.
— Felipe! Você matou meu filho! Você o matou! Eu vou te matar!
— Mandei que o levassem para o aeroporto.
— O quê?
Felipe zombou. — Meu primo deve ter sido um rato na vida passada. Ele levou três anos para cavar um túnel e escapar. Refleti sobre isso e concluí que lhe dei espaço demais, liberdade demais. Por isso, decidi trancá-lo em um prédio, com portas e janelas soldadas com barras de ferro. Sendo um rato, ele não vai conseguir roer barras de aço, vai?
— Você, você, você... seu primo não é um prisioneiro!
— Se ele ousar fugir de novo, vou trancá-lo no porão.
— Você... isso é crime!
— E ele mandar alguém me atropelar com um caminhão, não é crime?
— Bem...
— Ou você prefere que ele vá para a cadeia?
Adriano ficou calado. Aquele sobrinho era realmente impiedoso com a própria família e era capaz de fazer algo assim.

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