— Você está restringindo minha liberdade. Não tem medo que eu chame a polícia?
Milton bufou. — Pode chamar. De qualquer forma, não estamos trabalhando estes dias, tanto faz onde ficamos. Na delegacia tem lugar para dormir e comida, está ótimo.
Serena ficou sem palavras. Isso provavelmente confirmava o ditado: quem não tem nada a perder não tem medo de nada.
Ela só pôde erguer o celular. — Não vou embora, só preciso fazer uma ligação.
— Então ligue. Eu fico de olho em você.
Serena não estava com disposição para discutir com ele. Sentou-se num banco, pegou o celular e ligou para Tina.
Tina disse que ela e Severino tiveram uma discussão. Dizer que houve agressão seria um exagero; ela estava tentando ir embora, ele a bloqueou, e ela o empurrou. Naquele momento, Severino realmente tropeçou em algo atrás dele e caiu sentado no chão, mas se levantou imediatamente, sem parecer nem um pouco ferido.
No entanto, Severino estava de fato ferido, e gravemente, a ponto de precisar de cirurgia. Além disso, uma lesão nesse local, mesmo com uma cirurgia bem-sucedida, não descartava a possibilidade de sequelas, além da reabilitação posterior. Em suma, os problemas futuros seriam complicados.
Mas ela não pôde deixar de duvidar: Tina apenas o empurrara, ele caiu sentado e isso causou um dano tão grande?
Isso... isso era um pouco absurdo.
— Tina, você disse que o homem que te atacou ontem à noite se parecia muito com o Severino, certo?
— Sim.
— Qual o seu grau de certeza?
— Uns sessenta por cento.
— Então vamos começar por aí. Se conseguirmos provar que foi ele quem te atacou ontem à noite, a lesão dele não terá nada a ver com você.
Não apenas não teria nada a ver com Tina, como ele também teria que enfrentar a justiça.
— Certo, vou falar com a polícia sobre isso.
Depois de desligar, Serena se virou e viu que Milton havia se afastado para o fim do corredor, falando ao telefone com alguém em segredo.
Um pensamento lhe ocorreu, e ela se levantou e caminhou naquela direção.



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