— Serena, pare de me caluniar! Fizemos tudo com honestidade, não pegamos um centavo sequer. Você...
Antes que Ângela pudesse terminar, Serena desligou o telefone.
Ângela só queria se vingar pelo que aconteceu no passado?
Com certeza havia esse motivo, mas devia haver outros também. Ela ainda não tinha descoberto quais eram, então não precisava agir precipitadamente. Era melhor esperar para ver o que Ângela faria a seguir.
Ao chegar a essa conclusão, Serena suspirou aliviada. Quando estava prestes a voltar para o quarto para dormir, a campainha tocou de repente.
O Robson não tinha dito que trabalharia até tarde hoje?
Não, espere. Se fosse ele, não precisaria tocar a campainha!
Confusa, Serena foi até a porta e olhou pelo olho mágico. Viu um garotinho vestido com um terninho preto e gravata-borboleta. Entediado, ele cutucava o rejunte do piso com a ponta do sapatinho de couro.
Depois de esperar um pouco sem que ninguém abrisse a porta, ele levantou a cabeça, confuso.
Era o rosto de Felipe em miniatura. Os olhos amendoados eram tão perfeitamente desenhados que pareciam traçados a pincel. Seu olhar era límpido e vivo. O rostinho, sério, era como um mármore branco e polido. Tinha uma aura fria e, apesar da pouca idade, já transmitia uma sensação de imponência.
Era... Adolfo, seu filho mais velho com Felipe.
O coração de Serena disparou. Ela olhou para aquele rostinho com uma mistura de medo e avidez. Sua mão trêmula agarrou a maçaneta, mas a razão a segurava, impedindo-a de abrir a porta.
— Serena, esta é a última vez que pergunto. Você realmente quer terminar comigo?
— Se você escolher ir embora, espero que seja para sempre.
— Que nunca mais nos vejamos!
— Por favor, assuma a responsabilidade pela sua escolha. Saia completamente do meu mundo!
— E quanto ao nosso filho, por favor, corte todos os laços com ele também!
Naquele inverno, depois de uma grande nevasca, Felipe a procurou, segurando Adolfo, ainda um bebê de colo, em seus braços. Ele tinha a esperança de que ela voltasse para casa com ele, para que pudessem ser uma família novamente.



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