Até os policiais já não aguentavam mais. Eles queriam colocar o homem na viatura o mais rápido possível, antes que ele matasse o marido traído e espancado de pura raiva.
Serena, embora estivesse apenas observando, sentiu seus próprios valores serem desafiados.
Envolver-se com a esposa de alguém, espancar o marido e ainda provocá-lo verbalmente — nem a pior das pessoas faria algo assim.
Mas, no momento em que os policiais insistiam para que o homem entrasse na viatura, uma mulher de terninho preto, cabelo curto até os ombros e aparência refinada, correu até eles.
— Eu sou a noiva dele. Qualquer coisa, podem falar comigo.
Ao ver essa mulher, Serena ficou surpresa.
Ofélia Branco! Era a Ofélia!
Ela se aproximou, olhou para o homem agredido e para a mulher com roupas e cabelos ainda desalinhados, depois para o homem sentado no capô do carro. A julgar pela sua calma, não era a primeira vez que algo assim acontecia, e ela entendeu a situação imediatamente.
— Senhores policiais, tenho certeza de que foi esta mulher que seduziu o meu noivo. Meu noivo é um homem normal; mesmo que tenha dormido com ela, a culpa não é dele.
Os dois policiais, que já tinham ficado chocados com a falta de moral do homem, agora estavam estarrecidos com a de sua noiva. Realmente, cada panela tem sua tampa; eles eram um par perfeito.
O policial abriu a boca várias vezes, sem saber o que dizer.
Ofélia se aproximou do homem agredido e lhe entregou seu cartão de visita.
— Espero que possamos resolver isso de forma particular. Pense em quanto dinheiro quer e me mande o número da sua conta.
O homem se sentiu profundamente insultado e estava prestes a jogar o cartão na cara de Ofélia, mas, ao passar os olhos por ele, viu as palavras "Diretora Executiva do Grupo Branco" e hesitou.
O que ela quis dizer com aquilo? Que ele poderia pedir a quantia que quisesse?
— Senhor, confie na lei. A justiça será feita — disse o policial.
O homem pensou por um instante. — Eu, nós vamos resolver de forma particular!
— Hã?
— Na verdade, houve um mal-entendido. Não fui eu quem chamou a polícia. Eu e este senhor... somos amigos!
Dizendo isso, o homem se levantou com dificuldade, segurando as costelas e rangendo os dentes de dor.
— E eu estou perfeitamente bem.
Se a própria vítima dizia isso, o que os policiais poderiam fazer? Tiveram que ir embora.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira