Serena respirou fundo e entrou no quarto. Viu que a Sra. Costa chorava silenciosamente. Ao perceber a presença dela, a senhora limpou as lágrimas rapidamente e virou-se de costas, demonstrando que não queria conversa.
— A senhora diz que não confundiria o próprio filho, mas será que o Felipe confundiria o próprio irmão?
A Sra. Costa virou a cabeça, com o rosto fechado.
— O que você quer dizer?
— Tenho aqui fotos do Alfredo e daquele morador de rua. A senhora pode comparar.
Serena colocou as duas fotos simultaneamente diante da Sra. Costa.
A Sra. Costa hesitou por um instante, mas acabou pegando as imagens, comparando-as cuidadosamente.
— Parece que realmente não são a mesma pessoa.
— Embora haja alguma semelhança, claramente não é ele.
Serena viu a Sra. Costa assentir e estava prestes a suspirar aliviada, quando a senhora perguntou:
— Este é o Alfredo?
Serena travou por um segundo.
— Claro.
A Sra. Costa olhou novamente para a foto com atenção.
— Ele tem essa aparência? Por que eu sinto que... não parece com ele?
Serena apertou os lábios. Aquela foto havia sido tirada por Robson Anjos com o celular, seis anos atrás. Robson enviara a foto para ela, e ela a imprimira.
Como poderia não parecer?
— Lembro que ele tinha cabelo comprido.
— Ele cortou depois.
— Ele adorava usar roupas cor-de-rosa.
— Ele não gostava de rosa.
— A pele dele era muito branca.
— Depois de jogar basquete por um tempo, não ficou tão branca assim.
— Eu preferia ele daquele jeito, parecendo uma menina, e não assim.
Serena respirou fundo.
— Ele se vestia daquele jeito por sua causa.

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