Naquele momento, ela ainda usava um vestido de gala e Felipe estava de terno, sentados em uma barraca de espetinhos, parecendo totalmente deslocados.
O local ficava na periferia da cidade, cercado por canteiros de obras, então a maioria das pessoas comendo ali eram operários da construção civil. Eles fumavam, bebiam e falavam alto, o que não seria problema, mas alguns ficavam olhando para ela, o que deixava Serena muito desconfortável.
Felizmente, os espetinhos chegaram logo. Serena apressou Felipe para comerem e saírem dali rapidamente.
Felipe também percebeu os olhares. Ele lançou um olhar frio de volta, mas os homens não só não se intimidaram, como um deles assobiou, e os outros riram.
— Ô Velho, há quanto tempo a gente não volta pra terra natal? — perguntou um homem vestindo uma jaqueta de couro sintético preta, que estava descascando, ao colega da frente.
O colega era mais forte que o da jaqueta. Ele contou nos dedos.
— Oito meses.
— Oito meses, hein. Saudade da mulher?
— Claro que sim.
— Você tá com saudade é da cama da sua casa, porra!
— Cama sem mulher, vou sentir saudade pra quê?
Ao ouvirem isso, a mesa inteira caiu na gargalhada.
— Ah, então é saudade de mulher. Não admira que fique babando ao ver a mulher dos outros.
— E você não babou?
— Eu tô morrendo de vontade, porra.
Assim que a frase terminou, uma garrafa de cerveja voou e se espatifou na mesa deles. Com o estalo, cacos de vidro e cerveja voaram para todos os lados. O grupo se esquivou em pânico, mas alguns foram arranhados pelos estilhaços.
Recuperados do susto, todos olharam para Felipe, que os encarava com os olhos cheios de hostilidade.

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