— Tio, ouvi sua voz. — Ao ver que era Rogério, ela correu alegremente em sua direção. — Tio, já troquei de roupa, vamos logo.
Rogério segurou a mão da menina.
— Vamos, partiu vender criança.
Grace riu.
— Vamos ver o filme!
A sala de cinema estava cheia de adultos com crianças e, com tantas crianças, era inevitável que houvesse as mal-educadas. Na fileira da frente, havia um menino de uns seis ou sete anos que não assistia ao filme direito: uma hora derrubava comida no chão, outra hora falava alto com o pai ao lado, e depois pulava na poltrona bloqueando a visão de quem estava atrás.
Quem o levou ao cinema foi um homem robusto, provavelmente o pai, que estava relaxado na cadeira, assistindo compenetrado e sem dar a mínima para o filho. Alguém atrás reclamou, mas pai e filho fingiram não ouvir.
Quando o filme chegou na parte mais emocionante, o menino pulou na poltrona novamente e gritou para a tela: — Coelho maldito, corre mais rápido! Pega logo ele!
Grace teve a visão bloqueada e gritou irritada para o menino: — Você não pode sentar para assistir? Está me atrapalhando!
O menino ouviu, mas não se sentou. Em vez disso, virou-se e fez uma careta para Grace.
— Não vou sentar, vou ficar na sua frente mesmo. Se tiver coragem, chore!
Rogério soltou um riso sarcástico, pegou um punhado de pipoca e jogou na cabeça do menino. O garoto era atrevido, não ligou para o pequeno ataque e nem teve medo do adulto; fez outra careta para Rogério, com uma postura de "o que você vai fazer?".
O canto da boca de Rogério se repuxou e, no momento seguinte, ele deu um chute no encosto da poltrona da frente. A cadeira balançou violentamente, o menino se desequilibrou, o corpo inclinou para fora e, pisando em falso, ele caiu no chão.
O menino ficou atordoado por um instante e, em seguida, abriu o berreiro.
— Pai, ele me bateu!
Com o choro da criança, o homem finalmente acordou para a vida e levantou-se num salto, virando-se para Rogério.
Mas ninguém comprou a briga dele.
— Agora você lembra que é seu filho, né? Mas quando seu filho estava atrapalhando todo mundo a ver o filme, por que você não fez nada?
— Realmente, tal pai, tal filho. O pequeno não tem educação e o grande é totalmente sem noção.
— Eu não vi ninguém bater no seu filho, foi ele quem pulou na cadeira e caiu sozinho.
As pessoas comentavam uma após a outra, ninguém defendeu o homem.
O homem passou a mão no nariz, sem saber o que dizer.
Rogério empurrou o homem e olhou para a criança que ainda chorava alto, gritando com ele: — Cala essa boca, porra! Se der mais um pio, te jogo pela janela!

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