O café da manhã foi delivery, mas Rogério mentiu para Grace, dizendo que ele mesmo havia preparado. Grace provou uma colherada e levantou o polegar em aprovação.
— Tio, você é incrível. Minha mãe nunca consegue fazer um café da manhã tão gostoso; toda vez que ela faz mingau, ou fica aguado demais ou queimado.
Rogério não sentiu nem um pingo de culpa.
— Claro, pessoas inteligentes têm sucesso fácil em tudo o que fazem.
— O tio quer dizer que é inteligente e minha mãe é burra?
— O que você acha?
Grace balançou a cabeça, discordando.
— A mamãe é inteligente, e o tio também é.
Rogério afagou a cabeça da menina. Como podia haver uma criança tão obediente e adorável? Ela era simplesmente um anjinho.
— Tio, coma também!
Grace empurrou outra tigela de mingau para frente de Rogério, pegou uma colherada, soprou para esfriar e levou à boca dele. Rogério, lisonjeado com a atenção, apressou-se em comer, mas acabou queimando a língua.
A menina queria continuar a alimentá-lo, mas Rogério recusou rapidamente; ele não merecia tamanha bênção.
— Tio, eu gosto muito de você — disse Grace, abraçando o pescoço de Rogério e dando um estalo em sua bochecha esquerda. — Tio, você também gosta de mim, não é?
Rogério fez uma careta, achando aquilo um tanto meloso. Mas a menina olhava para ele com tanta expectativa que ele não quis desapontá-la.
— Até que gosto.
Grace riu.
— Eu sabia que o tio gostava de mim.
Rogério queria que Grace voltasse para seu lugar e comesse direito, mas ela não soltava seu pescoço.
— Tio, o tempo está ótimo hoje, não é?
Ao ver o sorriso travesso da menina, Rogério percebeu que toda aquela doçura de antes era apenas para amaciá-lo.
— O que você quer?
— Na verdade, combinei com meu irmão de ir brincar no parque...
— E então?
— Me leve ao parque, tio.

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