A sala fechada abafou completamente todos os gritos, sem que nenhum som vazasse.
Ninguém sabia o que aconteceu lá dentro.
Quando Ezequiel Assis saiu do quarto, algumas gotas de sangue manchavam a manga de sua camisa azul-acinzentada.
Ele franziu a testa com desgosto, e um subordinado imediatamente lhe ofereceu um lenço e um casaco limpo.
— Chefe, encontramos o paradeiro da Senhorita Pires.
Ele parou de limpar as mãos, seu olhar se aprofundou.
— Onde?
— Na casa da Família Pires.
Ele se virou para sair, deixando para trás uma ordem:
— Chame um médico. Não o deixe morrer.
Pela fresta da porta atrás dele, era possível ver uma pessoa deitada no chão, imóvel. Uma poça de sangue se formava sob a parte inferior de seu corpo. Se não fosse pela respiração fraca, pareceria um cadáver.
Ao lado dele, havia um pedaço de carne, ensanguentado e irreconhecível. A simples visão de sua forma fez com que os subordinados presentes inconscientemente apertassem as pernas, sentindo uma dor fantasma em um lugar específico.
O chefe era realmente cruel!
Aquele Gordo Sales nunca mais teria sua arma do crime, o que, de certa forma, era justiça sendo feita.
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Na favela da zona oeste.
Bethânia gritava, resmungando:
— Menina desgraçada, demorando tanto para tomar banho! Acha que água é de graça? Quem não administra a casa não sabe o valor das coisas, como pode desperdiçar tanto! Uma toalha qualquer serve para se secar!
Apesar de reclamar, Bethânia não se atreveu a entrar e desligar a água. Afinal, Moreno Pires ainda estava no hospital! Aquela desgraçada era capaz de envenenar pessoas! Quem sabe se ela não surtaria e sairia com uma faca para atacar alguém!
No banheiro.
Adriana Pires observava o sangue se misturar com a espuma e escorrer pelo ralo, seus olhos perdidos. Mal conseguia ficar de pé, seus joelhos tremiam levemente.
Ela olhou para o espelho. Seu corpo parecia um pano remendado, uma visão deplorável.
Seus olhos começaram a arder inexplicavelmente. Ela fungou, segurando as lágrimas com força.
Quatro anos atrás, naquela vez, ela estava cheia de alegria.
Agora, quatro anos depois, só restava o auto-desprezo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...