— Mas eu garanto, ninguém ousará comprar suas coisas. — Fez uma pausa e acrescentou: — Coisa nenhuma.
Ela levantou a cabeça bruscamente, os olhos faiscando de raiva, encarando-o ferozmente.
— O que você quer dizer?
— O sentido literal.
Isso significava que qualquer coisa que ela trouxesse seria bloqueada, impossível de negociar, porque não haveria compradores.
Palavras tão arrogantes!
Ela deveria duvidar!
Mas a expressão do homem era tão calma, tão confiante, aquela aura nobre e condescendente fazia as pessoas o amarem e odiarem ao mesmo tempo.
Ela rangeu os dentes. A intuição lhe dizia que ele estava falando sério e que conseguia fazer isso.
— O que você quer? Lembro que não te ofendi e nem te conheço.
— Nome.
— Já disse que me chamo...
— Não haverá uma terceira chance para mentir para mim.
Ela engasgou.
Ezequiel Assis era como um caçador, brincando com a presa à vontade, sem pressa nem demora, sem nenhum sinal de nervosismo, mas as emoções escondidas em seu coração transbordavam intensamente.
Adriana Pires se deu por vencida e disse a contragosto:
— Adriana Pires. Eu me chamo Adriana Pires.
*Crack.*
Ele perdeu o controle e esmagou o copo de vidro em sua mão.
Os cacos perfuraram a carne, a dor veio, mas não superou a emoção daquele instante.
Ele cerrou os dentes com força, baixou a cabeça, o cabelo cobrindo seus olhos negros como tinta, e a voz subiu um tom.
— Não ouvi, diga de novo.
Adriana Pires assustou-se com o ato dele de esmagar o copo com a mão nua, olhando para ele como se fosse um monstro.
— Você não sente dor? Quer que chame um médico?
— Nome.
— Adriana Pires, Adriana Pires, Adriana Pires. Ouviu bem? Eu me chamo Adriana Pires.
Ele repuxou os cantos dos lábios. Estava sorrindo, mas seus olhos ardiam.
— Então você sabe quem eu sou?
— Sei. Ezequiel Assis, ué.
Ela falou com um tom de total indiferença.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...