Naquela época, ele havia deixado Lílian completamente apaixonada. Quando se casaram, ele tinha certeza de que ela não tinha ninguém.
Ela nem ousaria.
Aquele Zaqueu não passava de um otário que assumiu o problema.
Carlos continuou lendo.
— Uau, o marido dela é bem rico. E já se divorciaram?
Uma ponta de ressentimento surgiu nos olhos de Grace.
— Sim, divorciados. E ela ficou com 60% do patrimônio do seu genro. Ela tem bilhões!
Carlos imaginava que a filha tivesse dinheiro, mas nunca tanto!
Bilhões?
Aquele dinheiro era suficiente para Carlos quitar suas dívidas de jogo e ainda viver o resto da vida no luxo!
— Certo, eu reconheço essa filha! — Carlos gargalhou.
— Srta. Lopes, muito obrigado!
Grace bufou.
— De nada.
Afinal, ela não estava ajudando aquele velho viciado em jogo. Jamais quereria ter qualquer tipo de envolvimento com alguém tão desprezível como Carlos.
— Não precisa entrar em contato comigo, e eu não vou mais encontrá-lo. O resto, faça como quiser. Eu apenas lhe dei a informação.
Escoltada por seus guarda-costas, Grace se afastou e desapareceu.
Carlos observou avidamente aquela figura esbelta, sentindo a garganta apertar.
Droga, quando pusesse as mãos naqueles bilhões, ele também provaria o sabor daquela mocinha rica!
-
Crystal retomou sua vida tranquila de antes.
À noite, ela ia cozinhar para Gilson em dias alternados, mas, felizmente, ele estava em viagem de negócios naquela semana, o que lhe deu mais um dia de folga.
Gilson havia dito que, quando voltasse, poderia vender o apartamento para ela.
Ao sair do trabalho, Crystal percebeu que estava chovendo, mas ela não tinha guarda-chuva.
Não queria pegar o metrô lotado, então chamou um Uber, mas a espera na fila já passava de vinte minutos.
Crystal não estava com pressa. Com calma, ligou para William.
Antes, ela detestava receber suas ligações; agora, sentia uma certa expectativa.
— Hehe — o homem riu com uma malícia sombria. — Desculpe, garota.
A palavra "garota" fez todos os pelos de Crystal se arrepiarem.
O homem à sua frente, todo de preto e com um boné preto, a deixou com uma sensação de pânico.
Ela abaixou a cabeça e, sem dizer mais nada, correu em direção ao carro parado na rua.
Mesmo depois de entrar, Crystal ainda estava com o coração acelerado.
— Últimos dígitos do celular?
Crystal ofegava.
— 1129. Obrigada, motorista, pode ir.
— Ok, 1129, partindo!
Crystal virou a cabeça e olhou para o caminho de onde viera, mas o homem de preto já não estava mais lá.
*É melhor sair mais cedo do trabalho de agora em diante*, pensou Crystal.
O que ela não notou foi que, sob a sombra de uma árvore, sob a aba de um boné preto, um par de olhos gelados observava sua partida.
— Crystal, seu papai voltou!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Floresci das Cinzas
Excelente!!...