A voz dele, gentil e cheia de força, atravessava a dor extrema e o desespero do parto, amparando firmemente toda a fragilidade e insegurança de Júlia.
Após longas horas, junto com o choro agudo e suave do bebê, toda a tensão e ansiedade da sala de parto se dissiparam.
Em um instante, toda a energia de Júlia pareceu ser drenada. Ela caiu desabada e exausta na cama, respirando ofegante, com o olhar exausto. Dante, que tentava manter a calma o tempo todo, sentiu os olhos marejarem ao vê-la daquele jeito.
Sempre frio, resoluto e que nunca demonstrava fraqueza diante dos outros, ele agora não conseguiu se segurar. De forma repentina, uma lágrima quente escapou pelo canto do olho e caiu bem no rosto suado de Júlia.
Dante se inclinou e beijou com doçura o suor fino na testa dela, e em seguida deu-lhe um beijo solene e terno:
— Só teremos este, é o suficiente. Nesta vida, não deixarei você passar por esse sofrimento nunca mais.
A respiração de Júlia estava fraca, mas ela ainda assim esboçou um sorriso, erguendo a mão para acariciar suavemente o rosto dele, dizendo com ternura:
— Eu estou bem. Vá logo ver o bebê, veja o nosso bebê.
Dante, porém, balançou a cabeça, segurou firmemente a mão dela e fixou o olhar nela, sem desviar os olhos um milímetro sequer, pois seu mundo resumia-se apenas a ela desde o início:
— Não vou. Os médicos e enfermeiras vão cuidar do bebê. E nossos pais também. Não preciso me preocupar. Eu só quero ficar com você.
Para ele, Júlia sempre seria sua prioridade, seu primeiro e grande amor, o sentido de todo o resto de sua vida, e tudo o que importava. A criança só lhe interessava porque tinha relação com ela.
Ouvindo isso, um calor reconfortante invadiu o peito de Júlia. No entanto, ela ainda queria ver o bebê, então o apressou:

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