"Irmã, vem rápido!" Bryan exibia um rosto animado. "O cunhado trouxe um monte de coisas! E ainda…"
Ofélia lançou-lhe um olhar frio. Bryan se calou na hora, sem conseguir terminar a frase.
Ivonete levantou-se e olhou em sua direção. "Ofélia, você chegou? Achei que estivesse tão ocupada que não teria tempo de voltar. Não é amanhã feriado? O Rui me acompanhou até a casa dos meus pais e, passando por aqui na volta, pensei em aproveitar pra visitar o tio e a tia."
Rui tinha acompanhado Ivonete até a casa da família dela?
Bernardo teria morrido?
E afinal, com que intenção Ivonete aparecia em sua casa?
Ofélia não sabia a resposta, mas tinha certeza de que Ivonete não vinha com boas intenções.
O que as palavras de Ivonete realmente diziam era que Rui não queria vir, mas veio porque ela insistiu.
E ainda por cima, disse que era "aproveitando".
Que ironia.
Aquela era a casa da família de Ofélia. Rui, como genro, nunca tinha sugerido visitar os Jardins, os pais dela.
Agora aparecia ali, ainda por insistência de Ivonete.
Ofélia não sabia dizer o que sentia, só sabia que era algo muito ruim.
Além disso, ver sua família tratando Rui e Ivonete com tanta cautela e deferência, realmente feria os olhos de Ofélia.
Ela sabia que sua origem era muito diferente da de Rui, mas nunca acreditou que dinheiro significasse tudo.
No entanto, ela foi forçada, repetidas vezes, a se curvar diante do poder financeiro de Rui, a ponto de não conseguir sequer erguer a cabeça diante dele.
Como daquela vez, quando Rui disse que o orgulho dela era ridículo.
Com facilidade, ele havia quebrado seu espírito altivo, fazendo com que nem conseguisse se endireitar.
Agora, ele ainda trazia Ivonete para a casa dela.
Queria exibir? Queria humilhar?
Ofélia engoliu a amargura, endireitou lentamente as costas.
Quando se ama alguém, é possível rebaixar-se até o pó.
Mas, e se o amor acabasse?
Nenhuma atitude ou olhar de Rui poderia feri-la novamente.
Ela não permitiria que recaísse nos mesmos erros.
Todo o exibicionismo e autossatisfação de Ivonete já não provocavam nenhuma reação.
Naquele momento, um pensamento forte tomou conta do coração de Ofélia.
Ela não apenas queria se divorciar de Rui, ela queria… esquecê-lo completamente.
Não queria mais amar aquele homem.
Dali em diante, queria ser forte, independente, andar de cabeça erguida e nunca mais se humilhar diante dele.

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