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Glória das Lágrimas romance Capítulo 31

Rui virou-se e olhou para ela mais uma vez: "Eu já disse, ainda não nos divorciamos. Ofélia, como minha esposa, essas coisas você não deveria esconder de mim."

Ofélia encarou-o de volta: "Eu não quis esconder nada de você, só que ainda nem comecei as provas, nem sei se vou ser aprovada."

Rui franziu a testa, claramente insatisfeito com aquela resposta.

Ofélia continuou: "Além disso, mesmo que ainda sejamos marido e mulher, não preciso te relatar tudo, certo? Quando foi que você me contou alguma coisa sobre o Diretor Almeida?"

Ela estava apenas falando a verdade, e, por um momento, Rui não soube como rebater.

"Preciso voltar, o Diretor Almeida está me esperando..."

Ela não parava de chamar pelo Diretor Almeida, o que deixou o rosto de Rui ainda mais carregado. Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer: "Eu te levo."

"Não precisa..."

Rui não cedeu: "Você não voltou para a casa antiga, não está hospedada com seus pais, nem foi para a Vila Nuvem e Lua. Ofélia, você ainda é minha esposa. Onde você mora, com quem mora, pelo menos isso eu preciso saber, não acha?"

Como ele sabia que ela não tinha ido para a Vila Nuvem e Lua?

Ofélia não teve tempo de pensar nisso, pois sua última frase a irritou profundamente: "Com quem eu moro? Rui, o que você quer dizer com isso?"

"Quero dizer que preciso saber onde você está morando, se está sozinha." Rui olhou para ela, o olhar frio: "Você ainda é a senhora da Família Almeida. Suas atitudes representam a Família Almeida."

Ofélia entendeu o que ele queria dizer: ele simplesmente temia que ela fizesse algo impróprio e manchasse o nome da Família Almeida.

Ela sentiu um amargor no peito, mas logo o reprimiu.

Então era assim que Rui pensava dela.

De má conduta, ou talvez, de não ser fiel como esposa?

Entre marido e mulher, além do mínimo de confiança, ele nem sequer sabia quem ela realmente era.

Muito menos respeito.

"Vamos." Ofélia não insistiu mais. "Eu te levo."

"Vamos no meu carro."

"Eu tenho o meu."

Aquele carro fora comprado por sua família, a Família Jardim, quando ela e Rui se casaram, mesmo com sacrifício.

Mesmo que para a Família Almeida, um carro daqueles fosse motivo de vergonha.

Mas Ofélia adorava, gostava muito, e o dirigia até hoje.

Sim, um carro assim, Rui nunca daria valor.

Assim como sua família, suas condições... até mesmo ela mesma.

Alguém como Rui jamais daria valor.

"Tudo bem."

Rui disse apenas isso, deu a volta pelo carro e entrou direto no banco do passageiro.

Ofélia ficou boquiaberta.

Rui... entrou no carro dela?

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