Ofélia não pretendia responder àquela pergunta cheia de provocação e armadilhas.
Mas Ivonete claramente não queria deixá-la escapar tão facilmente.
Ivonete disse: "Qual é o sentido de ficar atrás do Rui? Ele nunca vai gostar de você. Quem não é amado é que é o terceiro na história. Ofélia, por favor, eu te peço, deixa ele em paz."
Ofélia sentiu que realmente tinha amadurecido.
Hoje em dia, ouvir esse tipo de coisa já não lhe causava nenhuma perturbação.
Ela respondeu: "E daí? Somos marido e mulher, temos certidão de casamento, estamos protegidos pela lei."
Agora, ela não apenas não se magoava, como também podia revidar.
O rosto de Ivonete realmente ficou sombrio: "É, e daí, você nunca vai conquistar o coração dele."
Ofélia suspirou e decidiu, pelo bem do bebê que carregava, não discutir com Ivonete.
Ela disse: "Em vez de falar isso pra mim, por que você não vai falar com o Rui?"
"Falar o quê pro Rui?"
"Diz pra ele que eu não o amo, que quero terminar logo esse casamento de fachada, pra ele me deixar livre."
A expressão de Ivonete mudou de repente, e ela perguntou: "Você... você tá falando sério?"
Ofélia pensou um pouco e disse: "Ou então, fala pra ele que eu estou apaixonada por outro, que só casei com ele por obrigação, que nenhum dos dois se ama, então por que continuar insistindo?"
Ofélia achou que, se Ivonete pressionasse o Rui, talvez o efeito fosse melhor.
Ela sorriu: "Essas coisas entre nós dois, eu deixo nas suas mãos, Ivonete."
Assim que terminou de falar e se virou, seu corpo ficou tenso.
Rui estava com a mão na maçaneta da porta, olhando diretamente para ela.
Não sabia quanto ele tinha ouvido da conversa.
Ivonete foi rapidamente até Rui, ergueu o rosto para ele: "Rui, eu não quero que vocês se divorciem, mas... eu não esperava que a Ofélia..."
Ofélia também não esperava que, ao falar aquilo sem pensar, Rui acabasse ouvindo.
Mas, se ouviu, ouviu. Afinal, ele também tinha outra pessoa no coração, estavam quites.
Além do mais, se já iam se divorciar, por que se importar com isso?
Ela evitou olhar para o rosto de Rui e foi direto para o salão.
Ivonete olhou cautelosamente para Rui: "Rui, por que a Ofélia age assim..."
Rui lançou-lhe um olhar frio.
Ivonete abaixou a cabeça apressada: "Foi ela mesma quem disse, eu não esperava, ela está casada com você há anos, mas ainda pensa em outro..."
"Cale a boca." A voz de Rui era gelada: "Não fale mais nada."
Ivonete ficou cheia de mágoa, com os olhos vermelhos: "Rui..."
Rui colocou a mão grande no ombro dela e deu um leve tapinha: "Entre, eu já sei de tudo."
Aquele jantar, Ofélia aguentou com enjoo.
Ela quase não comeu nada, foi várias vezes ao banheiro durante a refeição.
Quando finalmente terminou, sentou-se no carro e sentiu que enfim estava viva de novo.
Uma mão se estendeu ao seu lado, oferecendo uma garrafa de água.
Ofélia pegou: "Obrigada."

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