No quarto do hospital.
Clara abriu a gravação do dia anterior.
Cada palavra doeu como uma facada em seu corpo, fazendo-a se encolher.
Nesse momento, uma mensagem surgiu no topo da tela do celular.
Era aquele nome que ela mantinha fixado e que agora machucava profundamente a visão: Enzo.
Ela imediatamente moveu a gravação para uma pasta bloqueada com senha.
Abriu a mensagem.
[Ouvi do Dr. Chen que você recuperou a visão há alguns dias. Por que não me avisou?]
[Os resultados dos exames de Valentina saíram. Ela fraturou um osso e precisa descansar por meio mês. Você sabe como ela é, nunca aceitou esse tipo de humilhação. Venha aqui agora e peça desculpas pessoalmente. Eu garanto a você que ela não deixará a situação piorar.]
Clara olhou para a tela. Estava doendo tanto, que ela até sentiu uma vontade cômica de dar risada.
Ela digitou devagar: [É mesmo? Pelo visto ela não aguenta apanhar tanto quanto eu.]
A resposta veio quase no mesmo segundo: [Clara! Pare de ser teimosa. Eu explicarei a minha situação com ela depois, mas você tem que se desculpar agora! Eu posso dar um jeito de abafar o caso e evitar que chegue à polícia.]
Se desculpar?
Clara curvou levemente os lábios.
Ela perguntou: [E ela já me pediu desculpas por tudo o que fez nesses anos? Quando ela dirigiu o carro para tentar me matar, por que você não pensou em mandá-la para a cadeia?]
O status de 'digitando' apareceu e sumiu várias vezes. Por fim, a resposta chegou: [É diferente. Ela é a Valentina. Ela é da família Castro. Você sabe muito bem os contatos que a família Castro tem. Um escândalo não trará vantagens para você.]
Ah.
Então era isso.
Não se tratava de certo ou errado, nem de verdade ou mentira. Apenas quem era forte e quem era fraco.
Simplesmente por ser Valentina, a herdeira da família Castro, suas maldades recebiam passe livre e podiam ser encobertas com um leve 'já foi punida'.
Enquanto ela, por ter uma origem comum, precisava aguentar tudo, sendo até proibida de resistir.
Ela digitou, letra por letra: [Eu não vou pedir desculpas. Nunca.]
[Você quer recuperar a visão só para ir parar atrás das grades?]
[Tudo bem, você me prende. E eu mando o vídeo de ontem para todos os meios de comunicação da Capital. Vou deixar que todos escutem como o casal perfeito usou os olhos e a vida de uma pessoa como aposta de amor.]
[Você filmou?]
Clara não respondeu.
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