[Quem está aí, saia]
[Mamãe, está doendo muito]
Este era o diálogo entre o adulto e a criança na escada de emergência do hospital.
A mais velha era a voz de Noémia.
A mais infantil era a voz de Theo Pinto.
Sem qualquer processamento de alteração de voz.
Somado ao fato de que a mulher acabara de admitir pessoalmente que encontrou o menino no hospital e o levou.
Com provas irrefutáveis diante de seus olhos, nenhuma farsa poderia se esconder.
O cérebro de Noémia sofreu um curto-circuito. Após um breve apagão, ela começou a raciocinar lentamente.
Ela nunca imaginaria que o garotinho tinha uma escuta no corpo.
Então, ao conversar com ele, ela não mascarou a voz propositalmente, o que acabou a entregando.
Vontade dos céus?
Talvez!
Ela fora cautelosa em cada passo, armando sua fuga com perfeição. Achava que escaparia dos olhos dele e deixaria a Cidade do Mar sem fazer barulho. Jamais pensou que revelaria uma falha tão cedo.
E agora? O que fazer?
Bater o pé e negar?
Parecia inútil.
Ele já havia cravado que ela era Noémia. Se ela continuasse se fingindo de boba, com o temperamento dele, fatalmente tiraria o sangue dela para exames.
Afinal, a equipe médica do Grupo Pinto ainda tinha os dados das amostras de sangue dela. Uma simples comparação superaria mil palavras de negação.
Um silêncio sepulcral reinou.
Os batimentos cardíacos e a respiração de ambos se misturavam, tornando o ar ao redor opressivo e pegajoso.
Noémia abaixou levemente a cabeça, com um sorriso amargo se desenhando no canto dos lábios.
Andou em círculos por cinco anos apenas para voltar ao ponto de partida.
Talvez os céus não achassem que os haviam atormentado o suficiente e ainda quisessem amarrá-los novamente para uma tortura ainda mais brutal.


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