Pérola satisfeita largou o celular, enquanto Dimas e Noemi também deixaram escapar sorrisos no rosto.
"Aliás, Pérola, você não queria dizer alguma coisa antes?"
Mais cedo, ao vê-la meio cabisbaixa, Dimas estava tão incomodado com a ausência de Romeu que nem conseguiu se preocupar com Pérola. Agora, vendo que tudo corria bem entre eles, lembrou-se de perguntar.
Pérola cortou um pedaço do bolo de milho e levou à boca, sentindo o sabor docinho e reconfortante: "Nada não."
Daisy estava tão atarefada na empresa que mal sabia onde estava – ainda bem que Romeu, não se sabe se por generosidade repentina ou porque já tinha combinado com Pérola de levar Julieta para passear, mandou uma mensagem avisando que nos próximos dias ela não precisaria buscar a filha.
No exato momento em que começava a descobrir informações sobre Chris, Daisy ficou até aliviada.
Chris era uma figura lendária na Luz Labs — diziam que dominava todas as tecnologias de ponta da empresa, mas raramente era chamado para resolver problemas e era quase impossível conseguir uma audiência com ele.
Depois de muita insistência, Daisy conseguiu arrancar uma ou outra informação com Urbano. Parece que Chris era de uma excentricidade sem igual, e quem tentava conversar com ele geralmente saia humilhado por suas ideias mirabolantes.
Além disso, ninguém ousava falar dele pelas costas; parecia que Chris tinha uma reputação e tanto. Ele programava só por diversão, ajudava quando estava de bom humor, mas se não estivesse, nem o Papa conseguiria convencê-lo.
Urbano passava pela mesa de Daisy quando ela o chamou.
"Gerente Cardoso, sobre aquele favor que pedi…"
Urbano olhou para Daisy e suspirou: "Se você faz mesmo questão de encontrá-lo, então prepare o psicológico."
Daisy respondeu: "Se eu não achar ele, não tem como avançar no desenvolvimento. Ele criou o último algoritmo. Se eu aprender, além de economizar tempo e esforço, nosso sistema ficará muito mais seguro contra invasões."
Ela sabia que todo produto de sucesso logo era copiado, o que podia prejudicar demais o trabalho.
Chris estava na mira de Daisy há tempos, mas ela simplesmente não conseguia replicar aquele código. Só restava encontrar o próprio para aprender com ele.
Urbano cedeu: "Tá bom, vou te passar o endereço dele, mas se vai dar certo ou não, vai depender só de você. O cara é esquisito, ninguém consegue conversar com ele, faz tudo conforme a própria vontade."
Daisy respondeu, serena: "Desde que ele seja humano, já basta."
Todo ser humano tem desejos, todo mundo tem seu ponto fraco. Daisy não se importava de entrar em uma disputa longa, o importante era vencer no final.
Urbano assentiu: "Então, boa sorte pra você."
Daisy pegou o bilhete que Urbano lhe entregou e, ao abrir, leu o endereço: um condomínio de luxo no centro da Cidade Perene, onde os imóveis custavam dezenas de milhões.
Não era à toa que ele se achava tanto. Muitos magnatas não tinham cacife suficiente para comprar um apartamento ali.
Dessa vez, Daisy sentiu-se um pouco insegura — afinal, aquele homem não precisava de dinheiro. Dinheiro não seria o ponto fraco dele.
Sem precisar buscar Julieta, Daisy ganhou muito mais tempo livre.
Depois do expediente, comeu qualquer coisa num boteco perto da empresa e ligou para Vanessa. Seguindo o endereço de Urbano, foi atrás de Chris.
Nesse dia, Daisy se vestiu de maneira impecável e formal. Conferiu a postura no espelho, certificando-se de que nada estava fora do lugar.
Ao chegar no portão do condomínio, percebeu que a segurança era rígida.
Visitantes comuns não entravam ali sem justificativa ou sem o próprio morador pedir a liberação para a portaria.
Assim que encostou o rosto, a porta se abriu.
"Quem você está procurando?"
Um rosto jovem e bonito surgiu diante dela, transbordando juventude.
O único detalhe destoante era o cabelo desgrenhado, estilo "acordei agora"; o garoto parecia ter acabado de sair da cama, apesar de já serem seis da tarde.
Ele analisou Daisy; Daisy também o encarou, surpresa: "Com licença, seu pai está em casa?"
O canto da boca do menino se curvou: "Meu pai? Morreu faz uns anos. Acho que você errou de túmulo."
Ele já ia fechar a porta, mas Daisy rapidamente colocou meio corpo para dentro.
"Desculpe, vim procurar o Chris. Ele está?"
Daisy achou que fosse uma pegadinha do garoto. Será que ele estava tentando enganá-la?
Pensando nisso, Daisy foi direta ao ponto.
O menino a observou demoradamente.
"Pode entrar, sente-se onde quiser. Quem mandou você vir atrás de mim?"
Daisy ficou atônita. O Chris que ela imaginava devia ter pelo menos uns trinta anos — nunca pensou que o gênio da programação fosse um garoto de, no máximo, quinze ou dezesseis.

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