"Senhora, o Diretor Luz temia que a senhora ficasse entediada. Como o ambiente aqui está animado, ele me pediu para trazê-la pessoalmente. Se ver algo de que goste, pode arrematar sem se preocupar com o dinheiro."
Julieta assentiu com a cabeça, pegou seu número e sentou-se em seu lugar.
Às nove em ponto, o auditório já estava completamente lotado.
Pelo visto, ela não era a única entediada ali.
Sem saber o que seria leiloado, Julieta endireitou o corpo e esticou o pescoço. O telefone de Rosa tocou, mas ela recusou a ligação e voltou o olhar para Irineu.
"Será que pode trazer a Rosa também?"
Irineu franziu ligeiramente a testa, mas diante das ordens de Julieta, ele apenas obedecia, nunca contestava.
"Está bem."
Só de pensar na jovem, Irineu já sentia dor de cabeça.
Julieta avisou a Rosa que estava na sala do leilão e que agora Irineu iria buscá-la também. Do outro lado, não houve mais resposta, e Julieta imaginou que ela devia estar se arrumando.
O leilão começou oficialmente e, de saída, o apresentador mostrou uma pedra de lápis-lazúli, fazendo Julieta arregalar os olhos.
Aquilo era matéria-prima para fazer azul ultramarino, caríssima.
Mesmo ela só tinha comprado uma pequena quantidade há dois anos, feita pelo método antigo, e nunca teve coragem de usar.
Desta vez, porém, a pedra nas mãos do apresentador era duas vezes maior do que a que ela havia comprado. Para quem pintava, aquilo era um verdadeiro tesouro.
"Oitocentos mil!"
Assim que o apresentador anunciou o lance, alguém já cobriu.
"Um milhão!"
Julieta nem teve tempo de fazer uma oferta, o público parecia enlouquecido.
Aquela cor, qual artista não ficaria hipnotizado ao vê-la?
Não era de se admirar que Hugo a tivesse mandado ao leilão; afinal, estavam vendendo justamente as coisas de que ela gostava.
Irineu chegou com Rosa a tempo e se aproximou de Julieta.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: HERDEIRA LOUCA: MEU DINHEIRO, FORA VOCÊS!