Uma série de conselhos bem-intencionados, mas difíceis de ouvir, deixou Julieta Reis mais uma vez em uma encruzilhada.
Ela não queria prolongar esse destino sem sentido com Hugo Luz, não queria ter um filho dele porque sabia que, cedo ou tarde, os dois seguiriam caminhos diferentes.
Ela não suportava a ideia de que seu filho crescesse sem pai, assim como ela, Ismael e Alice. Mas por que o destino insistia em contrariá-la?
Hugo mantinha uma amante bem debaixo de seus olhos. No terceiro dia após o casamento, ele já havia voltado para Cidade Begônia para ficar com a outra mulher. Julieta realmente não tinha motivos para convencer a si mesma a ter aquele filho.
"Tudo bem, vou pensar sobre isso quando voltar pra casa."
A médica a olhou fixamente.
"É casada? Se tiver marido, converse bastante com ele. Se não for casada, converse com sua família. Você ainda é tão jovem, não brinque com sua felicidade para a vida toda.
Se fizer essa cirurgia e tiver consequências irreversíveis, vai se arrepender pelo resto da vida. Nenhuma mulher quer passar a vida toda sem poder ter filhos."
As palavras da médica ainda ecoavam em seus ouvidos enquanto ela saía, desorientada, segurando a ficha do exame. Chegando à porta, acabou esbarrando em alguém.
"Desculpa."
Julieta apressou-se para pegar o exame de gravidez. Quando levantou o rosto para se desculpar, viu um rosto mais do que familiar.
Júlia Vargas também estava ali. Só que era empurrada por uma enfermeira, sentada em uma cadeira de rodas, também segurando um exame de ultrassom, que acabara caindo junto ao de Julieta.
Julieta, instintivamente, ajudou a recolher o papel, e com o canto dos olhos notou, sem querer, o tempo de gestação escrito no exame da outra.
Júlia provavelmente não esperava encontrar Julieta ali.
"Sra. Luz, que coincidência. Até no hospital a gente se encontra."

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