Ele se trancou no escritório e nunca mais deixou ninguém cruzar aquela porta.
A mãe de Curtis não foi escolhida pelo pai dele. Foi o próprio patriarca da família Lincoln quem a selecionou para garantir a continuidade da linhagem.
Nunca existiu amor entre os dois. Nem de longe.
Naquela época, o pai de Curtis, Michael Lincoln, gastou 500 milhões em uma pulseira para encenar uma relação perfeita diante das câmeras. Era tudo fachada.
Casamentos de fachada sempre apodrecem por dentro.
Curtis nasceu bem no meio dessa podridão.
“Depois que a mãe engravidou, o pai sumiu”, disse Danielle. “Harold contou ao mundo que ele tinha morrido. Mas não morreu.” Ela sorriu, como se revelasse um segredo. “Sei que você tem investigado Curtis. Quer encontrar o pai dele e usar seus filhos com a nova família contra ele, para disputar a herança dos Lincoln.”
Matthew não respondeu. Ela tinha acertado em cheio.
Ele queria usar a segunda família de Michael para arrancar tudo de Curtis.
Quando ele perdesse a proteção do Grupo Lincoln, Matthew poderia trazer Adriana de volta.
“Eu sei onde Michael está”, disse Danielle, tranquila, mas claramente provocando.
Matthew estreitou os olhos. “Então fala. O que quer em troca?”
“Eu conto sem exigir nada. Só quero que trabalhemos juntos. O Curtis é uma bomba prestes a explodir. Se derrubarmos ele juntos, nós dois ficamos seguros.”
Curtis tinha ido longe demais. A vingança dele atingiu a empresa de Danielle e Chandler com tanta força que quase a destruiu.
Eles nem ligavam tanto para a empresa. O que queriam era a fortuna dos Barton e o controle do Grupo Barton. Mas, com ele no caminho, Danielle e Chandler estavam apavorados com a possibilidade de todo o plano ruir.
“Tudo bem”, disse Matthew, recostando-se no sofá. O copo em sua mão refletia a luz enquanto ele o girava lentamente. O olhar continuava preso em Danielle. “Pode falar. Onde ele está escondido?”
“Está em Haldoria”, Danielle respondeu. “Bem na divisa com Hillcrest. Tem uma pequena vila de pescadores lá.” Ela rabiscou algo no verso de uma foto e a deslizou pela mesa.
Matthew ficou imóvel por um instante. Aquele nome o atingiu. O orfanato de Adriana ficava ali.
O lugar era tão isolado que ninguém pensaria em procurar ali.
“Enquanto ele não volta”, continuou Danielle, avaliando a reação dele: “Ainda há tempo de agir. Dá para convencer o meio-irmão do Curtir a ser seu aliado.”
Matthew pegou a foto. Com um sorriso torto surgindo em seus lábios.
Curtis sempre acreditou que estava sozinho no mundo. O único filho. O único herdeiro de tudo o que os Lincoln possuíam. Se um irmão aparecesse de repente para disputar tudo, ele não conseguiria manter aquela calma arrogante.
Até lá, seria Curtis quem estaria de joelhos.
Mas, naquela noite, ele fez questão de demonstrar respeito. Deu respeito a todos ali. Tudo por causa da mulher ao seu lado.
Isso dizia muito sobre o quanto Adriana era importante para ele.
Adriana não entendia toda a dimensão daquilo, mas também não era ingênua. Sabia que Curtis tinha feito tudo aquilo por ela.
“Soube que a Sra. Lincoln entrou em um mestrado em Pastalia”, comentou uma das mulheres. “Isso é incrível.”
“Sim”, acrescentou outra. “Vimos alguns dos designs dela mais cedo. Ficamos impressionados.”
Os elogios vieram naturais, sinceros. Se Curtis tivesse forçado gentilezas, eles teriam apenas fingido e seguido em frente. Mas, depois de ver o trabalho de Adriana, sabiam que não era exagero. O talento dela era real.
“Já acertamos tudo com Devan. Ele está animado para conhecer a Sra. Lincoln.”
Adriana prendeu a respiração. Por um segundo, nem conseguiu se mexer. O mentor que ela admirava a vida inteira já sabia quem ela era?
Curtis sorriu, daquele jeito que quase nunca mostrava em público.
“Minha esposa ainda é jovem. Tem um longo caminho pela frente. Espero que todos possam cuidar dela por mim.”
Era estranho vê-lo assim, simpático e até humilde. Curtis nunca abaixava a cabeça para ninguém, mas naquela noite, abaixou.

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