Curtis abriu a porta do carro e ajudou Adriana a entrar com cuidado. “Senta aí e me espera.”
De repente, ele se lembrou de algo e voltou em direção a Jeremy, que ainda estava perto da entrada, conversando com Harold.
“Jeremy, não quero parecer paranoico, mas talvez seja melhor fazer mais alguns testes de paternidade da Nicole em sigilo. Todos esses anos os Bartons nunca a encontraram, e agora, de repente, ela aparece? Parece muita coincidência.”
“Isso soa mais como se estivesse procurando uma desculpa para não se casar com a Nicole”, Harold retrucou irritado.
“Acredite ou não, isso fica por sua conta. Não deixe as pessoas te manipularem. Seja cauteloso.” Curtis deu um leve tapinha no ombro de Harold. “Até mais, vovô. Eu e Adriana vamos embora.”
O idoso levantou o pé como se fosse chutar Curtis, mas ele desviou rapidamente, quase fazendo o velho dar mal jeito na coluna.
“Seu moleque!”, Harold resmungou, exausto, depois balançou a cabeça e voltou-se para Jeremy. “Sempre tenha cuidado. Ao longo dos anos, muita gente já se passou pela Nicole. Mesmo que o teste de paternidade seja verdadeiro, não dá para descartar fraude.”
Jeremy concordou com a cabeça. “Vou pedir para verificarem novamente.”
...
Dentro do carro, Adriana ficou olhando pela janela em silêncio.
Matthew e Natasha também saíram, com expressões fechadas, deixando claro que o clima entre eles já não era o mesmo.
Natasha tentou se apoiar no braço de Matthew, mas ele se afastou por instinto.
Adriana encostou no vidro, observando os dois, e soltou um sorriso amargo.
Amores de infância, primeiros amores, sentimentos enterrados... Agora ela era apenas uma mancha que ele não conseguia apagar.
...
“Matthew, o que está acontecendo? Te chamei para vir a Harborton ver a exposição e você recusou. Mas no instante em que soube que a Adriana estaria aqui, aceitou na hora”, Natasha perguntou, furiosa.
Ele esfregou a têmpora. “Você está pensando demais.”
“Tudo bem, estou pensando demais. Então vamos pegar nossa certidão de casamento agora.” Os olhos de Natasha estavam afiados, ela queria resolver aquilo o quanto antes.
Ela estava em pânico.
Era óbvio que Matthew tinha sentimentos por Adriana. No mínimo, a possessividade dele era escancarada.
“Ainda é cedo para falar disso. Vamos voltar primeiro.” Ele abriu a porta do carro para ela.
Natasha apertou as mãos com força, ficou em silêncio por um bom tempo e, por fim, entrou.
Matthew não entrou logo atrás, invés disso lançou um olhar para Adriana, pensativo.
Matthew franziu a testa, notando que tinha pouca vantagem nos negócios contra seu rival.
As decisões de Curtis carregavam o peso de toda a família Lincoln. Já Matthew... Ainda precisava resolver seus próprios problemas internos antes de realmente ter poder.
“Sr. Langford, em vez de tentar me forçar a ceder nos negócios, seria melhor arrumar sua própria bagunça. Sua família tem vários filhos ilegítimos... Talvez você nem saia vencedor.”
Curtis reconhecia a capacidade de Matthew, ele era inegavelmente competente.
Mas se conseguiria se destacar em meio à disputa ainda era incerto.
Só quando controlasse completamente o Grupo Langford e tivesse tudo nas próprias mãos poderia negociar de igual para igual.
Matthew fechou os punhos, segurando a frustração.
Ele sabia que seu rival estava zombando da situação em que ele se encontrava.
Curtis abriu a porta do carro, entrou e fez um sinal para Tom sair.
Matthew observou o carro se afastar antes de, aos poucos, relaxar os punhos.
Curtis está certo. É preciso enfrentar as ameaças dentro dos Langford, antes de ter força para exigir Adriana de volta.

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