Harper Ward
Calvin vai me matar quando souber da despedida de solteiro.
Mas eu merecia. Não é todo dia que alguém se casa aos vinte anos.
Mas meu noivo não é exatamente o tipo de homem calmo.
Isso durou pouco. Muito pouco. Minha culpa foi completamente incinerada quando meu telefone começou a tocar. Atender parecia uma má ideia, mas eu fiz assim mesmo. E para o meu grande azar, meu noivo estava trabalhando, em seu escritório.
Bom, trabalhar não era exatamente a palavra, quando havia um som bem sugestivo no ambiente.
— O que é isso? — Aprill se aproximou. — Puta que pariu! — Ela gritou, atraindo a atenção das pessoas na fila.
Era uma sensação intensa e em ondas. O som da música dentro da boate não surtiu efeito nenhum na tentativa de abafar os gemidos que saiam do alto-falante do meu telefone. É claro que juntou um par de curiosos ao redor para olhar por cima dos meus ombros.
Eu não estava me importando com isso.
Não me importava com mais nada.
Aquele homem era quem eu amava. Minha família.
A família que eu escolhi.
Mas algo pareceu ter sido rasgado dentro de mim. Ao contrário de sentir uma sensação intensa de tristeza, como imaginei que seria, havia raiva. O ódio mais puro e intenso que eu já senti em toda a minha vida.
Ele não era só meu noivo, era meu melhor amigo também, poxa!
Eu me guardei para um homem, mas aquele não era um bom exemplar, e nunca mereceu tudo que eu fiz, e tudo que deixei de fazer por ele.
Isso estava me matando por dentro.
As pessoas da fila pareciam assistir a um jogo muito animado, e começaram a gritar e torcer. Foi quando Calvin percebeu que estava em uma ligação. Aquilo foi péssimo, por que me fez perceber que ele me ligou sem querer, provavelmente ao esbarrar a mão, enquanto estava distraído com outra mulher.
— Harper, você está pálida! — Aprill disse.
Mas eu me concentrei em olhar nos olhos do homem que seria meu marido, e que estava tentando, sem sucesso, segurar o celular com as mãos tremulas. E para o grande azar do meu ex futuro marido, ao tentar segura-lo direito, o celular acabou caindo no chão.
Não. Eu, com certeza, não estava preparada para ver aquilo.
E eu nem estava falando do membro duro e babado em pé, em baixo da mesa.
— Harper... — Ele gemeu meu nome, desesperado, segurando a câmera e a levantando.
Foi um lapso, algo tão rápido, que uma piscada e eu teria perdido a cena. Mas lá estava, o assistente e melhor amigo do Calvin, em baixo da mesa, chupando o instrumento do amigo conservador e moralista.
— Puta merda! David? — Aprill gritou, sem qualquer tipo de pudor em evitar que as pessoas escutassem.
Algumas pessoas na fila estavam começando a rir alto, mas eu não achei a menor graça. Ele estava patético? Sim. Mas não melhorou em nada o meu humor.
— Gata. Gata, eu posso explicar. — Então ele parou um segundo. — Onde você está?
— Não é da sua conta! — Meu lábio inferior não parava de tremer. Isso era tão irritante.
— Olha, você está em, o quê? Uma boate, a essa hora? Nossa, se a mamãe souber, o que acha que vai acontecer, Harper? Vá para casa, e eu prometo te explicar tudo quando chegar.



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