Demorou um tempo até que a ligação fosse atendida.
"Elizabete?"
Ao ouvir a voz grossa e masculina do outro lado da linha, Elizabete prendeu a respiração.
Seu punho apertou ainda mais o celular.
A pessoa do outro lado, sem ouvir a voz dela, ficou aflita: "Elizabete, eu sei que é você. Você me ligou porque está com algum problema? Pode ficar tranquila, é só pedir que eu ajudo!"
Na mente de Elizabete, passou como um relâmpago aquela noite de tempestade.
Ricardo despencando do segundo andar.
Seu fôlego ficou entrecortado, a voz trêmula: "Preciso que você faça mais uma coisa pra mim, se… se der certo, eu… eu te pago de novo."
"Elizabete, entre nós não existe dinheiro."
"O único jeito que posso te agradecer é com dinheiro!" Elizabete cerrou os dentes, lutando contra a irritação. "Celso Ramires, só estou te procurando porque realmente não tenho outra saída. Não me deixa sem opção."
Do outro lado, o homem ficou em silêncio por um momento, então respondeu com firmeza: "Tá bom, eu faço o que você pedir. Diz aí, o que é pra fazer?"
Um trovão ribombou lá fora.
O clarão iluminou, por um instante, o rosto impecavelmente bem cuidado de Elizabete através da janela.
Os olhos da mulher brilharam com frieza, a voz soou quase sobrenatural: "Quero que você mate mais uma pessoa pra mim!"
…
Uma chuva repentina à noite derreteu o resto da neve da cidade, trazendo consigo o cheiro da primavera.
O céu começava a clarear, e a previsão do tempo dizia que o dia seria ensolarado.
Emerson Guedes já estava de pé às seis para correr.
Quando voltou para o Asa de Nuvem às sete, Edite estava descendo as escadas.
Ela usava uma maquiagem leve, parecendo ainda mais animada.
Emerson arqueou a sobrancelha: "Nossa Edite hoje tá de bom humor, hein?"
"Sim." Edite respondeu sem rodeios. "Só de pensar que vou pegar minha certidão de divórcio, já fico feliz."
"Adorei ouvir isso!" O bom humor de Emerson era evidente. Ele subiu apressado: "Vou tomar um banho rapidinho, depois te levo no cartório."
"Não precisa, posso dirigir sozinha."
Dentro do carro, Edite arregalou os olhos, segurando o cinto com tanta força que ficou pálida de susto…
Emerson respirou fundo, aliviado, e logo soltou o cinto, segurando os ombros de Edite enquanto a examinava de cima a baixo: "Edite, você tá bem? Se machucou?"
Demorou um pouco até Edite se recuperar, balançando a cabeça, ainda branca como papel.
"Que bom que não foi nada!" Emerson fechou os olhos, aliviado.
Faltou pouco, muito pouco para aquele caminhão atingir o carro!
Se tivesse batido… Emerson nem queria imaginar o que poderia ter acontecido!
Os dois ainda estavam em choque, sem perceber que, do outro lado, um homem saía pela janela quebrada do caminhão tombado.
Vestido todo de preto, com boné e máscara escuros, ele foi direto em direção à Range Rover branca.
A ponta escura do revólver apareceu atrás do para-brisa, mirando Edite.
No instante seguinte, o vidro se estilhaçou—
Tudo ficou escuro para Edite, ela sentiu alguém a agarrando forte, o barulho do tiro ensurdeceu seus ouvidos!
E, de repente, o mundo ficou completamente silencioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...