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Laço de Sangue? Laço de Mentira! romance Capítulo 227

Por causa da chuva forte, o voo acabou atrasando.

Edite tinha reservado a primeira classe e esperava na sala vip do aeroporto.

Enquanto aguardava, pegou uma revista semanal que estava por perto e começou a folhear.

De repente, um par de sapatos sociais pretos parou bem na sua frente.

Edite estranhou e, ao levantar o olhar, deparou-se com o olhar intenso de Davi.

Ela apertou os lábios e franziu a testa, quase sem perceber.

O homem esboçou um leve sorriso. "Você também vai pra Cidade Noite?"

Ao ouvir isso, Edite sentiu uma sensação ruim crescendo dentro de si.

"Pelo visto, acertei." A voz de Davi era grave. "Eu também estou indo pra Cidade Noite."

Edite ficou em silêncio.

Davi olhou para o assento ao lado dela e, sem cerimônia, sentou-se ali.

"Vai participar da gravação do vídeo institucional do Instituto do Patrimônio?"

"Sem comentários." Edite o lançou um olhar frio e, em seguida, voltou a ler a revista.

Depois do que aconteceu no cartório, Edite achava que não precisava mais tratar Davi com gentileza.

Aquele homem era egoísta e mesquinho, só pensava nele mesmo, já tinha enganado ela várias vezes. Se era assim, por que ela ainda precisava se preocupar com as aparências?

Mas Edite subestimou Davi.

Mesmo deixando claro o quanto o desprezava, Davi parecia não se importar nem um pouco.

"Dessa vez, o vídeo também vai abordar questões legais sobre defesa do patrimônio, então vou participar de algumas partes."

Edite apertou os lábios, demonstrando impaciência.

Ela não queria saber nada daquilo!

Davi a observava, encarando seu perfil frio, e sorriu de lado. "Tá tão difícil conversar comigo assim?"

"Nem tanto."

Edite levantou a cabeça, respirou fundo e encarou ele, o olhar gelado. "Se for pra falar sobre quando vamos assinar o divórcio, aí sim faço questão de conversar."

Davi arqueou a sobrancelha. "Isso a gente resolve depois que voltarmos de Cidade Noite."

Edite já esperava por aquela resposta.

Afinal, não era a primeira vez que ele agia com aquela cara de pau.

Ela não cairia mais nos truques dele.

"Davi, chamar você de ‘mesquinho’ ainda é elogio."

Davi apertou os lábios, com os olhos negros fixos nela.

Não rebateu, nem tentou se explicar.

Edite também não esperava uma reação normal dele. Cansada, desviou o olhar e voltou a mexer no celular.

No WhatsApp, Emerson mandou mensagem perguntando se o voo dela tinha atrasado por causa da chuva forte.

Edite respondeu que sim.

Logo depois, Emerson ligou.

Edite atendeu e foi até a janela panorâmica.

"Já tem previsão de decolar?"

"Ainda não avisaram. Disseram que está com risco de raios, se o tempo não melhorar talvez cancelem o voo, mas agora a chuva parece ter diminuído."

Assim que terminou, uma funcionária do aeroporto avisou que já podia embarcar.

Já no avião, Edite viu Davi sentado ao lado do seu assento e não conseguiu evitar de apertar os lábios, sem palavras.

Davi só lançou um olhar e logo voltou a olhar o celular.

Edite fingiu que ele não existia.

Sentou-se em seu lugar e pediu à aeromoça um cobertor pequeno.

Antes da decolagem, Edite mandou mensagem pra Branca.

Edite: [Vi a previsão do tempo, vai chover esses dias. Se cuida!]

Branca: [Relaxa! Tem gente aqui que já foi duas, três vezes. Dizem que todo ano é nessa época, tirando a umidade, é bem tranquilo!]

Depois disso, Edite ficou um pouco mais tranquila.

No alto-falante, a tripulação avisou para colocar o celular no modo avião.

Edite fez isso, guardou o aparelho na bolsa e colocou o cinto de segurança.

O avião começou a taxiar.

Quando atingiu a altitude de cruzeiro, Edite colocou a máscara de dormir, se cobriu com o cobertor e virou de costas pra Davi, tentando dormir.

Mas o sono não veio fácil.

O sonho era confuso, cheio de flashes, mas nada ficava nítido.

Acordou assustada com uma turbulência forte!

Edite tirou a máscara de dormir apressada.

"Calma." A voz baixa do homem soou reconfortante, enquanto uma mão grande segurava suavemente a mão dela, que agarrava o apoio do assento.

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