Por causa da chuva forte, o voo acabou atrasando.
Edite tinha reservado a primeira classe e esperava na sala vip do aeroporto.
Enquanto aguardava, pegou uma revista semanal que estava por perto e começou a folhear.
De repente, um par de sapatos sociais pretos parou bem na sua frente.
Edite estranhou e, ao levantar o olhar, deparou-se com o olhar intenso de Davi.
Ela apertou os lábios e franziu a testa, quase sem perceber.
O homem esboçou um leve sorriso. "Você também vai pra Cidade Noite?"
Ao ouvir isso, Edite sentiu uma sensação ruim crescendo dentro de si.
"Pelo visto, acertei." A voz de Davi era grave. "Eu também estou indo pra Cidade Noite."
Edite ficou em silêncio.
Davi olhou para o assento ao lado dela e, sem cerimônia, sentou-se ali.
"Vai participar da gravação do vídeo institucional do Instituto do Patrimônio?"
"Sem comentários." Edite o lançou um olhar frio e, em seguida, voltou a ler a revista.
Depois do que aconteceu no cartório, Edite achava que não precisava mais tratar Davi com gentileza.
Aquele homem era egoísta e mesquinho, só pensava nele mesmo, já tinha enganado ela várias vezes. Se era assim, por que ela ainda precisava se preocupar com as aparências?
Mas Edite subestimou Davi.
Mesmo deixando claro o quanto o desprezava, Davi parecia não se importar nem um pouco.
"Dessa vez, o vídeo também vai abordar questões legais sobre defesa do patrimônio, então vou participar de algumas partes."
Edite apertou os lábios, demonstrando impaciência.
Ela não queria saber nada daquilo!
Davi a observava, encarando seu perfil frio, e sorriu de lado. "Tá tão difícil conversar comigo assim?"
"Nem tanto."
Edite levantou a cabeça, respirou fundo e encarou ele, o olhar gelado. "Se for pra falar sobre quando vamos assinar o divórcio, aí sim faço questão de conversar."
Davi arqueou a sobrancelha. "Isso a gente resolve depois que voltarmos de Cidade Noite."
Edite já esperava por aquela resposta.
Afinal, não era a primeira vez que ele agia com aquela cara de pau.
Ela não cairia mais nos truques dele.
"Davi, chamar você de ‘mesquinho’ ainda é elogio."
Davi apertou os lábios, com os olhos negros fixos nela.
Não rebateu, nem tentou se explicar.
Edite também não esperava uma reação normal dele. Cansada, desviou o olhar e voltou a mexer no celular.
No WhatsApp, Emerson mandou mensagem perguntando se o voo dela tinha atrasado por causa da chuva forte.
Edite respondeu que sim.
Logo depois, Emerson ligou.
Edite atendeu e foi até a janela panorâmica.
"Já tem previsão de decolar?"
"Ainda não avisaram. Disseram que está com risco de raios, se o tempo não melhorar talvez cancelem o voo, mas agora a chuva parece ter diminuído."
Assim que terminou, uma funcionária do aeroporto avisou que já podia embarcar.
Já no avião, Edite viu Davi sentado ao lado do seu assento e não conseguiu evitar de apertar os lábios, sem palavras.
Davi só lançou um olhar e logo voltou a olhar o celular.
Edite fingiu que ele não existia.
Sentou-se em seu lugar e pediu à aeromoça um cobertor pequeno.
Antes da decolagem, Edite mandou mensagem pra Branca.
Edite: [Vi a previsão do tempo, vai chover esses dias. Se cuida!]
Branca: [Relaxa! Tem gente aqui que já foi duas, três vezes. Dizem que todo ano é nessa época, tirando a umidade, é bem tranquilo!]
Depois disso, Edite ficou um pouco mais tranquila.
No alto-falante, a tripulação avisou para colocar o celular no modo avião.
Edite fez isso, guardou o aparelho na bolsa e colocou o cinto de segurança.
O avião começou a taxiar.
Quando atingiu a altitude de cruzeiro, Edite colocou a máscara de dormir, se cobriu com o cobertor e virou de costas pra Davi, tentando dormir.
Mas o sono não veio fácil.
O sonho era confuso, cheio de flashes, mas nada ficava nítido.
Acordou assustada com uma turbulência forte!
Edite tirou a máscara de dormir apressada.
"Calma." A voz baixa do homem soou reconfortante, enquanto uma mão grande segurava suavemente a mão dela, que agarrava o apoio do assento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...