Edite baixou os olhos, fixando as mãos entrelaçadas. "Ouvi dizer que lá ainda é bem atrasado."
"É sim, um pouco atrasado. Os jovens costumam sair da ilha pra buscar oportunidades fora, então quem mora lá são basicamente pessoas de meia-idade e idosos."
Edite respirou fundo, reuniu coragem e perguntou: "E a minha mãe, ela está bem?"
"Olha, isso não dá pra garantir no momento."
Edite virou-se para ele, imediatamente sentindo todo o corpo ficar tenso. "O que quer dizer com isso?"
Nesse instante, a comissária trouxe um copo de leite quente.
Davi pegou o leite e o estendeu para Edite. "Beba um pouco de leite e tente dormir."
Edite, porém, não tinha o menor ânimo para tomar leite ou dormir.
"Davi, você pode me contar a verdade. Mais cedo ou mais tarde vou ter que encarar."
"Você vai saber de qualquer forma, então não adianta se precipitar."
Davi insistiu, colocando o leite à frente dela. "Tome, depois tente descansar um pouco."
Edite olhou rapidamente para o leite. "Não quero. Pode levar."
Davi arqueou a sobrancelha. "Está com medo de que eu tenha colocado veneno?"
"Não é isso, só estou enjoada. Não consigo engolir nada." Edite percebeu que ele não queria contar o que sabia sobre a mãe, então preferiu não insistir e virou o rosto para a janela.
Davi a observou por um tempo, depois devolveu o leite à comissária.
"Traga uma manta e uma máscara de dormir pra ela, por favor."
"Claro." A comissária entregou a manta e a máscara para Edite.
Edite pegou os itens e agradeceu num tom contido.
Davi ajustou o assento dela para a posição deitada.
Com a raiva reprimida, Edite virou-se de costas para Davi, colocou a máscara, cobriu-se com a manta e ignorou completamente a presença dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...