Hera não culpou Victória, mas também não pretendia mais contar com ela.
"Pode ir embora, as joias que você tocou estão sujas para mim, leve tudo isso contigo e suma daqui."
Victória mordeu com força os lábios, chegando a sangrar:
"Chefe... depois que meu avô se for, eu voltarei para pedir seu perdão com humildade!"
Hera não gostava de chorar, mas quando Victória se virou para partir, ela apertou a barra da blusa com força e deixou as lágrimas caírem.
Cristiano era mesmo habilidoso.
A tecnologia de chips era extremamente complexa, e investir bilhões era comum, por isso não se podia tolerar a menor falha de um engenheiro.
Ele não queria que ela e Victória fossem presas; aproveitou-se do escândalo de ela ser uma "mulher ciumenta e tempestuosa" para fazer todos acreditarem que ela tinha motivos para vender segredos comerciais.
Ele queria que ela não conseguisse mais trabalhar nesse ramo!
~
O céu estava tão escuro que parecia que ia chover.
Hera voltou para a Mansão Rosa, e a empregada, Dona Evelise, veio ao seu encontro, aconselhando: "Dona Hera, faça as pazes com o Diretor Lopes, por favor."
Por mais capaz que fosse, Hera era apenas uma cidadã comum, sem poder ou influência; como poderia lutar contra a força do capital?
Hera respondeu calma: "Ele não me matou, não é?"
Enquanto estivesse viva, ainda poderia dar a volta por cima!
Hera entrou na sala com a postura ereta.
Cristiano e Tomás fumavam, e Rita, satisfeita, servia chá para os dois como se fosse uma empregada.
Tomás comentou com ironia: "Mulheres gentis e atenciosas como a Rita merecem o carinho dos homens. Aquelas que são mimadas e arrogantes, ninguém vai querer."
Hera ignorou, como se ouvisse um cachorro latindo, e lançou um olhar para o contrato de divórcio à frente de Cristiano.

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