Fingindo estar um pouco relutante, ela comeu um pouco do camarão ao vapor com carne magra, algumas castanhas e mirtilos.
Depois, obedientemente, tomou o remédio, deixando que Hera fosse trabalhar.
Hera usava nos pés um par de sapatilhas que Teresa tinha lhe dado, o que fazia com que ela andasse mais rápido.
Cristiano seguia atrás dela com passos largos, dizendo solícito: "Aqui não tem táxi, deixa que eu te levo para o trabalho, tá bom?"
Hera não estava hospedada na Mansão Rosa pela primeira vez, então, é claro que sabia disso.
Ao acordar de manhã, ela já tinha pedido um motorista para buscar seu carro na Vila Joia e trazê-lo para cá.
"Não precisa, meu carro está ali."
Hera apontou para um Porsche Panamera vermelho cereja na entrada da mansão.
Ao ver o carro, Cristiano ficou completamente paralisado.
Lembrou-se do divórcio, quando obrigou Hera a sair endividada e sem nada.
Naquela época, o Panamera cinza fosco dela não foi deixado com Hera, ele deu o carro para Rita Santos...
Cristiano só queria dar um tapa na própria cara.
Que cabeça de vento ele teve, como pôde fazer uma coisa tão desprezível?!
Hera saiu dirigindo, e só quando não conseguiu mais vê-la, Cristiano se virou, voltando para a sala de estar, consumido pela culpa.
Nesse momento, Rita descia as escadas, segurando a barriga.
O rosto de Cristiano estava péssimo.
Ele era mesmo um canalha completo—
Rita tinha acordado tarde, pois, na noite anterior, tinha tomado um remédio para ajudar na gravidez e, por isso, sentiu dores até quase o amanhecer.
Não era uma dor insuportável, mas como agulhas espetando a pele, suportável, porém desconfortável.
Rita também viu Cristiano.
Ela escolheu fingir que havia esquecido o que aconteceu na noite passada.
Apesar do rosto ainda inchado e avermelhado, queria muito viver com Cristiano por muito tempo, então precisava ter a ousadia de "não guardar ressentimentos".

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