Cidade Luzeiro, hotel cinco estrelas.
Glória, na noite anterior, fora levada por Sandra Amorim para relaxar nas águas termais. No caminho de volta para a fazenda, uma chuva forte caíra. Assim, avó e neta decidiram passar a noite no hotel.
Glória terminou primeiro o café da manhã no bufê e quis dar uma volta pelo local, explorar um pouco. Sandra pediu que ela não se afastasse muito.
Ao sair do restaurante, Glória encontrou um senhor de terno que também estava indo embora. A menina, educadamente, cedeu a passagem e ficou logo atrás dele.
Ela viu quando o senhor, ao tirar o celular do bolso, deixou cair um cartão. Aproximando-se, Glória pegou o cartão e correu para alcançá-lo.
Ouviu quando ele falava ao telefone: "Ela volta amanhã para Cidade Luzeiro. Se retornar ao trabalho, trará novo prejuízo para a empresa... Aproveite a primeira oportunidade e resolva isso..."
Henrique sentiu de repente algo puxando a barra de seu paletó. Franziu o cenho e olhou para baixo.
Viu uma menina de uns cinco anos, olhando para ele com o rosto erguido. Os cabelos estavam presos em dois coques simétricos e seus olhos negros brilhavam como pedras preciosas.
Uma emoção há muito esquecida atingiu Henrique de repente. Ele desligou o telefone e olhou para a menina mais demoradamente.
O secretário, que acompanhava Henrique há quase vinte anos, sabia que o patrão, exceto pela própria neta, não simpatizava com crianças de outras famílias. Por isso, tentou afastar Glória de Henrique.
Para sua surpresa, antes que dissesse qualquer coisa, viu surgir no rosto sempre severo do chefe um esboço de sorriso. O secretário ficou atônito: era a primeira vez que via o presidente sorrir para uma criança que não fosse sua neta.
Henrique pegou o cartão de crédito das mãos de Glória, se abaixou e suavizou o tom de voz o máximo possível.
"Pequena, diga o que deseja em troca. Qualquer coisa, posso te dar."
Os olhos de Glória pareciam pequenas contas de vidro mergulhadas em água límpida. Após pensar um instante, respondeu: "Vovô, só quero que o senhor me agradeça."
O secretário apressou-se em intervir: "Não peça nada absurdo."
Todos sabiam que da boca do presidente só saíam palavras de valor, nunca um simples "obrigado". No mundo de Henrique, não existia "obrigado", apenas "você deve se sentir grato".
O sorriso sumiu do rosto de Henrique. Claramente, ele não queria dizer nada, mas os olhos daquela pequena pareciam exercer um feitiço sobre ele, fazendo-o sentir que quebrar uma regra não seria assim tão grave...
Como se movido por forças desconhecidas, ele disse: "Obrigado."
O secretário abriu a boca, espantado. O presidente dizendo "obrigado"—era uma cena que nem em sonho teria ousado imaginar!
Glória sorriu, os olhos se curvando: "De nada."
"Glória..."
Ao ouvir a voz da avó, Glória acenou para Henrique e correu para longe. A pequena figura, leve como uma folha, girava na mente de Henrique, sem jamais pousar...

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