O tapa de Hera veio sem qualquer aviso.
Glória ficou tão assustada que até parou de chorar.
Era a primeira vez que a garotinha via sua mãe bater em alguém com tanta força; de repente, sentiu-se envolta por uma onda de segurança.
O segurança segurava o rosto, olhando para Hera, incrédulo.
Robson também ficou paralisado por um momento.
Ao ajustar os óculos, seus lábios se curvaram discretamente.
Hera ainda seria capaz de lhe trazer mais surpresas…
"Chega."
A paciência do homem atrás do biombo estava se esgotando.
Ele voltou a fazer à Glória a última pergunta.
"Pequena, seu outro avô mora na Av. Mar, do Grupo Astro?"
Hera não deu chance para Glória responder e imediatamente interveio:
"Minha filha tem só um avô. Quanto ao outro, não o reconhecemos."
Ela lançou um olhar feroz para Cristiano.
Foram seis anos de casamento; embora tivessem seguido caminhos diferentes, ainda conheciam um ao outro razoavelmente bem.
Hera jamais olhava alguém assim sem motivo.
Em um instante, Cristiano compreendeu o que Hera queria dizer, franziu as sobrancelhas e falou alto: "Glória é minha filha biológica. Se há de se falar em único avô, deveria ser o meu pai."
A presença de Hera era ainda mais imponente que a de Cristiano: "Como você tem coragem de dizer isso? Alguma vez vocês assumiram responsabilidade por Glória?"
Cristiano respondeu: "Não dá para nos culpar, não é? Na época do terremoto, tudo foi uma confusão, foi a enfermeira que trocou as crianças…"
Hera e Cristiano começaram a discutir alto.
Robson era astuto. Quando Cristiano e Hera apareceram juntos, ele percebeu, pelo olhar que lançaram a Glória — diferente da frieza habitual —, que a verdadeira origem de Glória havia sido revelada.
Ainda havia chance de reverter aquela situação.
Robson piscou de leve para Glória.
Ele olhou para Cristiano, acenou com a cabeça, sinalizando para que Glória seguisse o que estavam dizendo.
Glória também era uma menina esperta; ao entender o recado, respondeu ao homem atrás do biombo:
"Aquele avô não mora no mar, não gosto dele, mas eu sei onde ele mora: na Mansão Rosa."
"Glória!"
Hera parecia muito irritada; aproveitou a oportunidade, empurrou o segurança e correu para pegar Glória no colo.
"Aquele avô, nós não queremos. Ouviu?"
Apesar de repreender a filha, por dentro, Hera estava profundamente emocionada:
Minha menina querida, filha maravilhosa, você é incrível. Estava pálida de medo, mas não falhou nem por um segundo.
Uma filha divina, que nem se trocaria por todo o ouro do mundo.
Hera, segurando Glória, se apressou até Robson.
O segurança tentou intervir, mas Robson o segurou, afastando-o com um empurrão.
Com o outro braço, envolveu Hera e Glória em um abraço apertado.
Quando os três ficaram juntos, o alívio se refletiu em seus rostos.
Os olhos de Cristiano arderam de dor.
Mas ele também queria proteger Glória.

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