Hera dirigia o carro, utilizando comandos de voz no celular, ligando freneticamente para Lorenzo.
Ela sabia onde o comandante estava morando no momento e, pegando um atalho, passou pelo mercado atacadista da Avenida Pessoa.
Quando já estava quase desesperada, Lorenzo finalmente atendeu ao telefone.
Aquele moleque insolente estava, incrivelmente, se despedindo, como se fosse dar o último recado:
"Mana, eu vou levar aquele tal de Lima comigo! Você tem que viver bem pelo Sr. Robson e pelas crianças."
"Viver pra quê? Eu e as crianças vamos acabar morrendo por sua causa. Agindo desse jeito impulsivo, só vai mostrar que já sabemos de toda a verdade."
Lorenzo disse: "Pedi para o pessoal investigar, ele e a esposa estão jantando fora. Vou esperar o carro dele voltar pra casa e acabar com tudo ali mesmo."
Hera tentou falar calmamente com Lorenzo: "Vamos pensar melhor nisso, prometo que vou vingar o Robson, mas você precisa voltar, não me deixa preocupada."
"Mana." A voz de Lorenzo era nitidamente embargada pelo choro: "Se cuida muito… A gente se vê na próxima vida…"
"Lorenzo, Lorenzo…" A voz de Hera era de extrema ansiedade, até suplicante: "Não desliga, por favor, deixa eu falar…"
Hera não sabia mais como convencer Lorenzo de forma eficaz. Foi então que viu um poste à beira da estrada.
Tomou uma decisão arriscada, ajustou o volante, protegeu o ventre com as mãos e bateu no poste a uma velocidade controlada.
O sistema inteligente do carro começou a emitir alertas sonoros: "ding ding".
Do outro lado, Lorenzo freou bruscamente. "Mana, mana, você está bem?"
Hera respondeu "fraca": "Lorenzo, estou… no mercado atacadista da Avenida Pessoa… sofri um acidente, minha barriga dói muito, vem me ajudar…"
"Estou indo agora, mana, aguenta firme!"
Hera ouviu pelo celular o som dos pneus cantando no asfalto quando Lorenzo fez uma curva brusca.

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