— Em teoria, o Senhor Vieira não deveria ter falta de dinheiro...
Antes de terminar a frase, percebeu que não estava fofocando com uma colega, mas sim com a própria Isabela. Cobriu a boca rapidamente, deu um sorriso sem graça e baixou a cabeça, parando de falar.-
Quando tudo foi resolvido, já passava da meia-noite.
Isabela sentou-se ao lado da cama do hospital, olhando para Daniela Madeira, cujo rosto parecia ainda mais pálido em contraste com os lençóis brancos.
Ela estava de olhos fechados, deitada em silêncio, como uma relíquia coberta pela poeira do tempo.
Há dez anos, Daniela sofreu um acidente de carro e entrou em estado vegetativo.
Três anos atrás, a sua condição havia piorado drasticamente. Se Carlos não tivesse pagado pela transferência para a UTI e financiado os remédios de alto custo, ela já estaria morta e enterrada há muito tempo.
Isabela segurou a mão gélida de Daniela. Tinha um milhão de palavras presas na garganta, mas tudo se resumiu a uma única frase:
— Mãe, você precisa acordar.
Nos dois dias seguintes, ela não arredou o pé do hospital.
Porque, além dali, ela não sabia mais para onde ir.
Ir para o estúdio?
A restauração de antiguidades exigia paciência, atenção aos detalhes e foco. Qualidades que ela definitivamente não tinha no momento.
Ir para a casa da avó?
No estado em que se encontrava, Alana apenas ficaria preocupada ao vê-la.
No terceiro dia, Isabela forçou-se a levantar e foi para o estúdio.
Ela vestiu um avental liso, colocou luvas brancas e finas como seda, sentou-se diante da sua bancada e começou a trabalhar.
No meio da tarde, a sua melhor amiga e sócia, Halina, telefonou. Contou que os exames do pré-natal não tinham sido bons e o médico recomendara um mês de repouso absoluto. Daquele momento em diante, Isabela teria que assumir o contato direto com a Família Vieira.
Ela concordou, dizendo para a amiga se cuidar e não se preocupar com o estúdio.
No decorrer da conversa, Halina mencionou a promoção do marido e pediu que Isabela agradecesse a Carlos em nome dos dois.
— Para falar a verdade, Isabela, as garotas da nossa turma morrem de inveja de você até hoje. Você veio de uma família comum e tem um jeito tão reservado. Como conseguiu chamar a atenção de um homem poderoso como o Carlos?
— Sabe muito bem que ele é o presidente do Grupo Vieira. Basta ele estalar os dedos para o mercado tremer.
— Nós vamos nos divorciar. Foi ele quem pediu — respondeu Isabela, seca.
— O quê? Por quê?
— A ex-namorada dele voltou.

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