A polícia local também estava sobrecarregada com aquele caso de disputa civil, especialmente por ter que lidar com uma arruaceira tão teimosa. Era uma verdadeira dor de cabeça.
Um policial, visivelmente irritado, repreendeu a mulher que chorava aos berros: "A senhora aceitou o pagamento e assinou o acordo de venda da casa. Se agora não está satisfeita com o negócio, pode entrar na Justiça. Mas não pode reunir gente aqui e fazer escândalo na fábrica dos outros. Isso dá detenção. Se não forem embora agora, vamos ter que levar vocês para a delegacia."
A mulher, tomada por uma súbita energia, levantou-se às pressas e avançou contra o policial de cabeça baixa. "Pode vir! Prendam todo mundo agora mesmo! Não pensem que essas ameaças me assustam. Eu não cresci sendo intimidada por ninguém. Na minha idade, vou ter medo de quê?"
O policial recuou um passo, a expressão endurecendo enquanto apontava para a multidão. "Prestem atenção! Se isso sair do controle e vocês acabarem com ficha criminal, nenhum dos filhos de vocês aqui vai conseguir um emprego público."
Naquela época, conseguir um emprego público estável era o objetivo máximo, uma cobiçada garantia para a vida toda. As palavras do policial tocaram num ponto sensível, e os parentes da mulher começaram a hesitar. Eles tinham vindo para dar apoio, não para se meter em briga nem em problema com a lei. Mesmo que o dinheiro fosse recuperado, para começo de conversa, não era deles. Para que correr tanto risco por algo que nem os beneficiaria diretamente?
O sobrinho da mulher foi o primeiro a ceder. "Tia, já está escurecendo. Talvez seja melhor a gente voltar e vir de novo amanhã?"
Quando alguém tomou a iniciativa, os outros logo seguiram o exemplo. "É, vamos para casa. Isso não é coisa que se resolva em um dia. Precisamos conversar direito e pensar no que fazer depois."
"Exatamente! Se for o caso, a gente pode entrar na Justiça e seguir o processo legal."
De qualquer forma, eles não podiam simplesmente sair por aí quebrando a propriedade dos outros. Se fizessem isso, quem sairia prejudicado não seriam os donos da casa, e sim eles mesmos, que teriam que arcar com as consequências.
Depois de muita conversa de um lado para o outro, a multidão conseguiu convencer a velha senhora e sua família a recuar. À medida que os curiosos e os policiais se dispersavam aos poucos, Du Weili finalmente percebeu que Li Suisui e os outros estavam o tempo todo no meio da multidão.
Ao notar que tinha sido descoberto, ele soltou uma risada sem graça.
"Desculpem por isso. Surgiu um problema na fábrica e acabou atrasando nosso jantar. Vamos para lá agora. Já reservei uma mesa."
Jiang Yang lançou um olhar furioso para ele. "Você não vai se explicar?"
Du Weili coçou o nariz, nervoso, e suspirou com uma expressão resignada.
"Bom, é exatamente o que vocês viram. Eu comprei a casa, e agora que a área vai passar por uma reurbanização, o antigo dono quer voltar atrás. Eu não posso simplesmente aceitar calado, posso? Se isso se espalhar, todos os outros proprietários vão bater à nossa porta exigindo uma parte da indenização."
Jiang Yang não engoliu aquela. "Você tem muita cara de pau! Não é à toa que, quando alguém mencionou que havia outras casas à venda, você se fez de desentendido. No fim, você já tinha garantido uma para si mesmo."
Du Weili deu de ombros, impassível, como um porco já escaldado que não tinha mais nada a temer.
"Ei, eu é que tenho consciência aqui. Deixei os bons imóveis para vocês e fiquei com os problemáticos para mim. Se eu fosse mesmo sem coração, teria empurrado esses negócios complicados para vocês. E vou dizer uma coisa: paguei mais por esta casa do que qualquer um de vocês pagou pelas suas."
Jiang Yang bufou. "Sei. Como se alguém fosse acreditar nisso."
Li Suisui, por outro lado, não ficou remoendo muito a questão. Afinal, tinha sido Du Weili quem havia encontrado os imóveis. O fato de ele próprio ter investido neles mostrava que tinha um bom olhar e estava disposto a apostar o próprio dinheiro no que dizia.
Se ele lucrasse, que fosse.
O que se podia fazer? O sujeito tinha tanto dinheiro quanto cabeça.
"Tudo bem, então", disse Jiang Yang, com um quê de resignação na voz. "Vamos comer. A refeição de hoje, com certeza, é por sua conta."
Du Weili deu uma risadinha sem graça, o rosto entregando uma mistura de culpa e alívio. "Peçam o que quiserem hoje, fica tudo por minha conta. Só me deem um instante, vou buscar o carro."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Marido Militar Poderoso: A Esposa Substituta
Se diz q é leitura gratuita, porém não condiz....