Aidan sabia que o homem devia estar sofrendo, e não queria discutir com ele.
Richard, porém, achava impossível que aquela fosse a verdade.
"Não vou acreditar em uma única palavra que você diz. Minha filha nunca machucaria ninguém", afirmou ele, aproximando-se de Aidan e cutucando-o no peito.
Todavia, aquele homem não se importava se ele acreditava ou não. O mais importante agora era que Richard continuasse vivo.
Aidan sabia muito bem a perda que seria se algo acontecesse com seu sogro.
...
Richard não chorou no funeral de Eddie.
Foi ele mesmo quem enterrou as cinzas.
"Meu querido filho, não pude protegê-lo nesta vida. Na próxima, vou compensá-lo."
Ele acariciou o caixão e sussurrou para si mesmo: "Espere por mim. Estarei com você em breve".
Após o funeral, todos desceram a montanha juntos.
Robert estava preocupado que Richard estivesse angustiado demais para fazer o percurso, por isso pediu a alguém para apoiá-lo.
O homem, no entanto, dispensou a ajuda. "Vá embora. Não preciso da ajuda da família Nelson."
O guarda-costas não teve escolha a não ser afastar-se.
Ao se aproximar de um ponto íngreme no meio da montanha, Richard sorriu para si mesmo.
Ele levantou calmamente o pé...
Todavia não o colocou de volta no chão. Em vez disso, sem hesitar, o homem permitiu que o corpo se inclinasse para frente.
Percebendo que algo estava errado, Aidan gritou: "Parem-no!"
Mas era tarde demais.
Richard caiu de cabeça no chão e começou a sangrar, e seu corpo começou a rolar montanha abaixo.
Os guarda-costas foram correndo atrás dele e, depois de descerem uns 20 metros, um deles conseguiu pular na frente do corpo de Richard e impedi-lo de rolar ainda mais.
A essa altura, Richard não conseguia mexer as mãos e nem os pés.
Aidan aproximou-se dele com pressa e se agachou. Era possível notar um certo temor em seus olhos.
Havia sangue escorrendo do canto da boca de Richard, que ele olhou para o homem e sorriu mesmo assim.
"Não pense mais em... me... me usar para controlar minha filha... Você... não... merece..."
Logo após balbuciar essas palavras, ele perdeu a consciência.
A mulher não sabia o motivo, mas naquele dia sentia-se estranhamente inquieta.
Desde a noite anterior, Aidan não havia voltado para visitá-la.
Mas ele lhe dera permissão para ver Eddie no dia anterior. Sendo assim, por que hoje não pôde vê-lo?
E ela já havia prometido ao irmão que lhe faria uma visita depois.
Como ele era muito sensível, ficaria remoendo o assunto caso ela não fosse.
Além disso a mulher estava realmente preocupada com o irmão.
"Por que você ainda está parado aqui? Quero ver Aidan."
Assim que Eliana terminou a frase, a porta da enfermaria foi escancarada.
Era Aidan, que entrou.
Com rancor nos olhos, ela o encarou e questionou: "Por que você está me trancando aqui? Por que não posso ver Eddie?".
O homem olhou com frieza para ela e disse: "Você acha que ainda pode fazer o que quiser, agora que está em minhas mãos?"
Depois olhou para o guarda-costas e ordenou sem rodeios: "Leve-a de volta para Blanchard Garden".

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