Ao ouvir o que ele disse, Charlotte levantou a mão, entristecida, e lhe deu um tapinha nas costas: "Aidan, não me assusta. Ellie já se foi. Você..."
"Não, ela não se foi. Ela não pode ter ido assim." O homem empurrou a tia para longe e gritou com pesar e com raiva. "Ela está esperando por mim em casa. Combinamos que ficaríamos juntos depois que eu voltasse do trabalho. Por quê? Por que você a levou embora? Devolva-a para mim. Devolva-a para mim!"
Enquanto falava essas coisas, agarrou com força os ombros da mulher e a sacudiu vigorosamente.
"Por que você a levou embora? Por que a escondeu de mim? Eu já admiti que errei. Por que não me dá uma chance de me redimir?"
Connor apertou os olhos, "Já chega."
Ele forçou Aidan a segurar a urna.
"Ellie está aqui. Você não sabe por quê?! Ela já morreu! Isso não é o resultado do seu trabalho árduo? Você conseguiu o que queria, então por que está chorando? Por que tá querendo causar problemas depois da morte dela?"
Com sofrimento, Aidan tirou as mãos da urna e encostou a cabeça na porta do carro, recusando-se a tocar o objeto que estava em seu colo.
Aquilo não era sua Ellie. Não podia ser.
A mulher sentiu um aperto no peito ao vê-lo assim.
Ela estendeu a mão e tocou com carinho a urna, sussurrando: "Ellie prefere estar limpa. Ela não queria que a víssemos apodrecer. Aidan, eu imploro: Respeite-a e deixe-a descansar em paz, por favor".
Aidan se curvou lentamente e abraçou com força a urna. Sua Ellie de fato se preocupava com a própria higiene.
Mas, repetidas vezes, a mulher foi ferida e abandonada sem ajuda, sangrando e cheia de cicatrizes. Como deve ter sido doloroso, para ela ter-lhe dito que nunca o perdoaria.
Vendo a careta de dor de Aidan, Charlotte ficou furiosa, mas não sabia como descarregar a raiva neste momento.
Era sempre difícil esquecer-se de um amor.
Aqueles que nunca perderam alguém que amavam jamais seriam capazes de entender o processo de luto.
Ela se levantou devagar e se afastou, arrastando os pés.
Agachado na frente de Aidan, Connor o confortou: "Após a morte, as pessoas precisam descansar em paz. Você...".
Após ter carregado 'Eliana' de volta para a cama, Aidan desceu e pegou algumas garrafas de vinho. Ele 'conversou' com ela enquanto bebia, e lágrimas escorreram pelo rosto.
Era óbvio que... se o homem tivesse acreditado nela, se tivesse confiado nela, teria sido suficiente...
Mas por quê? Por que ele não pôde confiar nela nem um pouco?
No hospital, Belinda enfim recuperou a fala.
Travis foi correndo para vê-la o quanto antes e perguntou sobre o acidente de carro que ela sofreu naquele ano. No momento em que soube a verdade, ficou muito impaciente e ligou para Aidan.
Todavia, o amigo não atendeu, então ele teve que ligar para Robert, para avisá-lo que a mulher tinha algo a dizer para Aidan.
Após encerrar a chamada, Robert foi logo atrás do mestre e, após abrir a porta, lhe disse: "A madame consegue falar de novo".
Não havia alegria ou tristeza no rosto de Aidan. Ele apenas encarou com apatia o outro homem.
Notando o desinteresse dele pelo assunto, Robert se apressou em acrescentar: "Ela quer te contar sobre o que aconteceu naquele ano..."

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