"Deixe-a ficar lá e se ajoelhar", interrompeu Aidan friamente, fazendo Robert estremecer e não ousar a dizer mais uma palavra. No entanto, o funcionário não pôde deixar de olhar pela janela com preocupação — a chuva estava extremamente forte, e ele sabia que as coisas não terminariam bem se ele permitisse que isso continuasse.
Então, implorou: "Segundo Jovem Mestre, a srta. Harvey vai passar por uma operação na semana que vem. Se alguma coisa acontecer com ela, receio que..."
"Cala a boca", interrompeu o outro. "Você acha que eu não sei disso?"
Robert ficou atordoado por um momento antes de perceber a intenção do chefe: o que quer que acontecesse com Eliana não importava, pois ele não tinha absolutamente nenhum intuito de que ela passasse por uma cirurgia.
E assim, o funcionário não disse mais nada e ficou em silêncio ao lado dele.
…
Eliana não mexeu um músculo apesar do aguaceiro, nem estremeceu apesar do quão fria estava aquela noite. Era a mesma sensação de quando estava presa: parecia que, onde quer que ela fosse, não seria poupada do tormento e da agonia.
Não sabia há quanto tempo estava na chuva, pois esta parou abruptamente, e, quando a mulher olhou para cima, viu uma Laura de aparência presunçosa pairando acima dela com um guarda-chuva.
"Qual é a sensação de ser tratada assim pelo homem que ama, hein, prima querida?", provocou ela. Eliana cerrou os punhos — ela não conseguia expressar o quanto queria socar a cara de sua prima perversa ali mesmo. No entanto, em vez de fazer isso, apenas respondeu com a voz fraca: "Pode rir de mim se quiser, fique à vontade. Não me importo mais."
Laura deu uma risadinha e se inclinou para sussurrar em seu ouvido: "Para mim, prima querida, você não passa de um vira-lata que merece ser chutado para longe. E, respondendo a sua pergunta, não, não vim aqui para rir de você. Vim aqui... para tirar a sua vida."
Então, sorriu para Eliana antes de exclamar: "Aidan, oh, Aidan, por favor, vem aqui!"
…
Um funcionário que ouviu Laura correu para o escritório de Aidan informá-lo de que ela o estava chamando: "Segundo Jovem Mestre, a senhorita Collins está atrás do senhor."
Ele imediatamente se aproximou e puxou Laura de onde ela estava encolhida no chão. "Levanta, você ficou maluca? Não sabe como a sua saúde está ruim?"
Ela então gritou: "Não, Aidan, não vou levantar. Sim, minha prima me machucou, mas não foi a intenção dela. Ela não sabia o que estava fazendo! Sei que você só está fazendo isso por mim... Por favor, não coloca a culpa nela. Não consigo descansar sabendo que ela está sofrendo tanto..."
O homem olhou de Laura para Eliana, apenas para ver que esta última estava mais inexpressiva e conformada que nunca. Ele não pôde deixar de franzir o cenho. Se ela tivesse metade da bondade de Laura... talvez não estaria onde está hoje.
"O que ela fez para você tratá-la assim?", berrou Laura. "Você não disse que pararia de ser duro com ela, hein? Não disse isso, Aidan? Como pôde?! Você me prometeu, você, você…"
Antes que pudesse terminar a frase, ela gemeu de repente e colocou a mão onde estava o fígado para, em seguida, tropeçar abruptamente e desmaiar.
Aidan, então, correu até ela na mesma hora e gritou, nervoso: "Laura, Laura!"

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