Ponto de vista de Apollo.
Ignorei os sussurros deles e caminhei direto em direção ao saguão dos elevadores. Meus passos não eram apressados, mas quanto mais eu me aproximava, mais consciente ficava dos olhos que me acompanhavam.
Um pequeno grupo de funcionários já estava ali parado, esperando. Aproximei-me para ficar ao lado deles, pronta para aguardar como qualquer outra pessoa. No momento em que parei ali perto, a atmosfera mudou completamente.
Todos se viraram para me olhar ao mesmo tempo, com os olhos arregalados como se de repente tivesse nascido outra cabeça em mim. O silêncio se estendeu de forma desconfortável entre nós. Eu nem sequer havia aberto a boca para cumprimentá-los quando um deles subitamente limpou a garganta e forçou uma risada.
— Oh... vejam só. — Disse ele às pressas.
— Acabei de me lembrar de que tenho algo urgente para resolver no último andar.
Outra pessoa imediatamente emendou:
— Eu também. Tenho que... err... imprimir uma coisa.
— Certo. O mesmo por aqui.
— Esqueci um documento lá em cima.
Em questão de segundos, todos começaram a inventar desculpas, cada uma mais esfarrapada que a anterior, até que se dispersaram em direções diferentes, deixando-me parada completamente sozinha diante das portas do elevador.
Pisquei e olhei lentamente ao redor, encarando o espaço agora vazio.
Um suspiro baixo escapou dos meus lábios.
Então era assim que o Apollo se sentia toda vez que as pessoas fugiam dele no saguão dos elevadores. Embora, sinceramente, eu duvidasse que ele ligasse para isso. Apollo nunca fora do tipo que se incomodava com tais bobagens. Se dependesse dele, provavelmente até preferia o silêncio.
O elevador emitiu um bipe suave.
As portas se abriram e eu dei um passo para dentro, pressionando o botão do andar presidencial. Justo antes de as portas se fecharem, duas figuras conhecidas caminharam na direção do elevador, imersas em uma conversa.
Aiden, o chefe do departamento de relações públicas. E Sarah, a chefe do departamento de Vendas.
Eles conversavam casualmente, mas, no momento em que me notaram ali dentro, ambos travaram na entrada.
Olhei para eles em silêncio.
Eles eram os dois superiores que haviam me tratado com gentileza quando eu ainda trabalhava ali como uma funcionária comum. Aiden sempre foi naturalmente amável, ajudando sem esperar nada em troca. Sarah, por outro lado, era perspicaz e inteligente, mas sempre me tratou com justiça e respeito.
Esbocei um pequeno sorriso e assenti.
— Boa tarde.
Os olhos de Aiden se arregalaram ligeiramente. Ele não se moveu.
Sarah, contudo, simplesmente me encarou por alguns segundos antes que um sorriso lento curvasse seus lábios. Ela entrou no elevador como se nada de incomum estivesse acontecendo.
— Bom te ver de novo, Grace. — Disse ela calmamente.
— Não achei que fosse te encontrar por aqui.
Sorri de volta para ela.
Sarah virou a cabeça na direção de Aiden, que continuava parado do lado de fora do elevador como se aquilo fosse algum tipo de armadilha. Ela cruzou os braços e inclinou a cabeça de leve.
— Você não vem?
Adien olhou para mim, depois para Sarah, como se perguntasse silenciosamente se ela havia enlouquecido. Mas Sarah parecia completamente relaxada, escorando-se casualmente contra a parede do elevador. Seu cabelo loiro emoldurava perfeitamente seu rosto e seus olhos azuis estavam tranquilos.
Aiden finalmente soltou um longo suspiro.
— Que seja. — Resmungou ele.
— Eu vou entrar.
Ele deu um passo para dentro e ficou de forma rígida ao lado de Sarah bem no momento em que as portas se fecharam.
O trajeto no elevador foi silencioso.
Sarah se recostou com os olhos fechados, parecendo apenas curtir o momento. Aiden, por outro lado, parecia visivelmente nervoso, com a postura reta e travada, como se temesse esbarrar em mim por acidente.
Após o que pareceram alguns longos segundos, o elevador parou com um aviso sonoro suave no segundo andar.
As portas se abriram.
Sarah abriu os olhos e desencostou-se da parede com elegância. Ela se voltou para mim com um sorriso discreto e acenou de leve com a mão.
— A gente se vê por aí, Grace. Vamos nos encontrar qualquer dia desses.
— Com certeza. —Respondi.
Ela saiu sem hesitação. Aiden deu um passo à frente também, claramente ansioso para escapar. Mas, bem quando ele estava prestes a cruzar a saída, eu falei:
— Espere.
Ele congelou instantaneamente.
Devagar, ele se virou de volta para me encarar, com a expressão cautelosa. Ele suspirou, como se estivesse se preparando para um julgamento.
— Grace... se eu te ofendi de alguma forma antes, peço desculpas. Por favor, me perdoe.
Ergui ligeiramente uma sobrancelha.
— Me ofendeu? Você fez alguma coisa?
— Claro que não. — Ele se defendeu rapidamente.
— Mas, se você acha que eu fiz, por favor, apenas esqueça. Afinal de contas, eu já fui seu superior.
Não pude evitar e sorri.
Aquele era o mesmo chefe de departamento descompromissado que fazia o que bem entendia só porque achava divertido. Agora ele parecia um aluno esperando para levar uma bronca.
Balancei a cabeça de leve.
— Não foi por isso que te chamei.
Ele piscou.
— Não foi?
— Na verdade, eu queria te fazer um convite.
Ele balançou a cabeça rapidamente.
— Não, não. Não é nada disso. — Ele soltou um suspiro baixo antes de prosseguir:
— Há pouco, o senhor Reed saiu com o Austin para mais uma aula de direção.
O encarei.
— O quê?
Ele assentiu.
— A verdade é que... o senhor Reed quer superar o trauma dele. Então, ele tem tentado dirigir novamente. Mas isso está cobrando um preço dele. É mais difícil do que parece. Mesmo assim, ele se recusa a parar.
Fiquei ali parada, estupefata.
De repente, tudo fez sentido: a exaustão em seus olhos quando vinha me buscar no trabalho, a tensão em seus ombros, a maneira como ele desconversava diante das minhas perguntas e dizia que era apenas cansaço dos negócios. E eu havia acreditado nele sem pressionar mais.
Ele não estava estressado por causa da empresa.
Chase hesitou antes de acrescentar baixinho:
— Eu e o Austin não deveríamos te contar. O senhor Reed provavelmente acabaria com a gente se descobrisse. — Ele fez uma pausa, então me lançou um breve olhar.
— Mas nós dois sabemos que ele está fazendo isso por você. Ele quer melhorar... por você.
Meu coração saltou no peito.
Um calor se espalhou por mim. Sorri docemente.
— Obrigada, Chase. A gente se fala mais tarde.
Ele assentiu. Caminhei em direção à porta do escritório de Apollo, com os passos mais lentos agora, a mente fervilhando de pensamentos. Justo quando eu estava prestes a empurrar a porta, parei e me virei de volta.
— Chase.
Ele olhou para cima imediatamente.
— Sim, Senhorita Grace?
Esbocei um pequeno sorriso brincalhão.
— Pode me fazer um favor e garantir que este andar permaneça vazio por um tempo?
Ele piscou, confuso.
— Por qu... — Ele começou a perguntar, mas então a ficha caiu em seu rosto.
As orelhas dele ficaram levemente vermelhas e ele limpou a garganta de forma desajeitada.
— C-certo. Com certeza. Este andar vai ficar... completamente vazio.
Dei uma leve piscadela para ele antes de me virar novamente.
Sem hesitar, empurrei a porta e entrei no escritório de Apollo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
Um dos melhores romances que já li. Bem escrito, sem inconsistências na história, ritmo agradável, e o enredo picante, mas com um toque de comédia tornando a leitura divertida. Daquelas histórias que faz a gente virar a noite fácil....
parou de atualizar......
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...