Gregorio permaneceu calmo: “Agora ainda não posso ir embora.”
“Por quê?”
Ele cruzou as pernas com elegância. “Você acabou de se recuperar da febre, quem garante que daqui a pouco não vai voltar a piorar?”
“Se eu for embora, quem vai cuidar de você?”
“Vai morrer de febre aqui?”
O tom era lento e tranquilo, mas as palavras pesavam como toneladas, me deixando tonta.
Tive que admitir, fazia sentido.
Mas ser cuidada por ele... Eu realmente achava difícil de suportar.
Parecia que até minha vida encurtava.
“Muito obrigada, Diretor Marques. Se eu tiver febre de novo, eu ligo pedindo socorro.”
“E por que, então, ficou deitada aí sem se mexer? O celular travou? Ou você travou?”
Ele parecia genuinamente intrigado.
Fiquei irritada. Será que ele não consegue conversar sem provocar os outros?
“De manhã, a febre veio tão de repente que eu nem tive chance de pedir ajuda. Agora já estou preparada, não vai acontecer de novo.”
Gregorio me lançou um olhar, sem responder.
No olhar dele havia uma clara desconfiança.
Fiquei sem palavras. Já tinha dito a mim mesma tantas vezes para não criar ilusões, mas ainda assim um pensamento insistente queria escapar da minha cabeça.
“Você...”
Mas antes que eu terminasse, meu olhar caiu sobre o celular dele, pousado na mesa.
Lembrei da ligação de Lidia há pouco e imediatamente despertei.
Certas perguntas não devem ser feitas.
E nem pensadas.
“O que foi?”
Ele me olhou, ergueu uma sobrancelha, como se estivesse curioso.
Balancei a cabeça, enterrando aquela fantasia impossível no fundo do coração, onde nunca deveria ver a luz do dia.
Só que o olhar dele me deixava completamente sem reação. Para mudar de assunto, olhei de relance para a sacola sobre a mesa.
Como se tivesse encontrado um tesouro.
“O que tem dentro da sacola?”
A resposta veio quando abri a sacola.
Era tudo remédio.
Para baixar febre, para gripe, anti-inflamatórios, calmantes.
Tudo o que eu poderia precisar.

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