Heitor raramente tinha explosões emocionais como aquela.
Célia tentou acalmá-lo, mas vendo que ele não parava de chorar, a irritação em seus olhos tornou-se cada vez mais evidente.
— Pare de chorar!
Ela gritou, impaciente.
Talvez por sua voz ter soado um pouco aguda, Heitor se assustou e parou de chorar, olhando para Célia.
Seus grandes olhos marejados estavam cheios de mágoa e medo.
Célia percebeu seu erro e rapidamente controlou suas emoções, olhando para Heitor com ternura.
— Heitor, você dormiu tanto tempo, deve estar com fome, não é? Mamãe te leva para comer alguma coisa, que tal?
— Não quero! Você não é minha mãe!
Heitor de repente afastou a mão de Célia, jogou o cobertor para o lado e desceu da cama.
Ignorando os chamados de Célia, ele correu com suas perninhas curtas para fora do quarto, até o escritório de Plínio, e abriu a porta na ponta dos pés.
Plínio estava olhando para os dados no computador com uma expressão sombria.
De repente, ouviu o choro alto de seu filho.
Heitor correu chorando até Plínio, agarrou sua mão e soluçou, sem fôlego.
— Pa... papai... eu quero a mamãe... eu... eu quero a mamãe...
Plínio rapidamente pegou Heitor no colo, dando tapinhas gentis em suas costas para acalmá-lo.
— Teve um pesadelo?
— Quero... quero a mamãe...
Plínio raramente via Heitor assim, mas sentia pena do filho e só podia consolá-lo em voz baixa.
— O papai está aqui, está tudo bem.
Ele conteve sua irritação, acalmando Heitor com tapinhas contínuos.
Quando Célia chegou à porta do escritório, viu exatamente essa cena.
Ela se aproximou de Plínio.
— Heitor dormiu a tarde toda, talvez tenha tido um pesadelo.
Plínio perguntou a Célia:
— O que exatamente aconteceu?
Célia se apressou em explicar.
— Eu não sei. Heitor voltou para casa à tarde e se trancou no quarto. Quando abri a porta com a chave reserva, o encontrei dormindo no tapete. Eu o coloquei na cama, e quando ele acordou, começou a chorar pedindo pela mãe.
Ao dizer isso, Célia sentiu uma raiva contida.
Ela pensava que já tinha conquistado o filho daquela vagabunda da Bruna, mas em poucos dias, Heitor já estava clamando por sua mãe verdadeira.
Em que lugar isso a colocava?
Mas, por enquanto, ela só podia se enfurecer em silêncio. Afinal, ainda não estava casada com Plínio e precisava agradar aquele pirralho.
Plínio suspirou.
— Afinal, ele é o filho biológico de Bruna.
Como um laço entre mãe e filho poderia ser quebrado tão facilmente?
Célia cerrou os punhos ao lado do corpo e olhou para Plínio, questionando:

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