Depois da agitação de Uriel na noite anterior, Bruna não estava mais tão nervosa.
Ela voltou para casa, deu uma olhada em seu projeto, sentiu que estava tudo bem e o enviou para o e-mail do concurso.
Depois, foi dormir.
Na manhã seguinte, ela pegou os tecidos que já havia escolhido e foi para o ateliê, começando a trabalhar na sala de modelagem.
Seu pulso não aguentava trabalho prolongado, então, nas últimas duas semanas, ela só podia fazer um pouco a cada dia, mas podia fazê-lo com muito esmero.
Na hora do almoço, Paloma foi procurar Bruna.
Bruna pensou que ela a estava chamando para almoçar e guardou seu trabalho.
— Vamos.
— Não é isso, tem alguém te procurando.
Bruna ficou confusa. Quem a procuraria ao meio-dia?
Paloma se afastou, revelando a pequena figura atrás dela.
Era Heitor.
Sem exagero, o apetite de Bruna para o almoço desapareceu.
O coletinho de Heitor estava amassado, e seus cabelos pretos e macios estavam despenteados, como se não fossem arrumados há dias.
Seu rosto, antes gordinho, havia emagrecido consideravelmente em apenas um mês.
Parecia que ele não estava passando bem.
— Mamãe.
Heitor chamou Bruna em voz baixa, sua voz suave carregada de choro, como se tivesse sofrido uma grande injustiça.
Bruna o observou com calma, sem demonstrar qualquer emoção diante de sua fraqueza.
Nem mesmo compaixão.
— Eu não sou sua mãe.
Ao ouvir as palavras de Bruna, os olhos de Heitor ficaram vermelhos instantaneamente, enchendo-se de lágrimas.
— Você é minha mãe! Você não pode me renegar!
Heitor ficou agitado, correu até Bruna e a abraçou.
Plínio estava muito ocupado ultimamente, sobrecarregado com os assuntos da filial e com muito trabalho na matriz.
Ele não tinha tempo para lidar com as desavenças entre Heitor e Célia.
Então, ele quase sempre ouvia Célia, dizendo a Heitor para não ser teimoso e obedecer.
Heitor, sentindo-se injustiçado, foi procurar Bruna.
Mas sua mãe biológica também o rejeitava, e ele sentiu que sua vida estava acabada.
Bruna não queria perguntar o que havia acontecido; não estava com disposição para saber.
Ela pegou o celular de Heitor e ligou para Plínio.
O telefone tocou por um longo tempo antes de Plínio atender.
— Heitor, eu já disse que, por enquanto, se precisar de algo, procure sua tia Célia. Estou muito ocupado.
A voz de Plínio era fria.
Bruna franziu a testa ligeiramente.
— Heitor está comigo. Mande alguém buscá-lo imediatamente.

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