Ao ver Célia, a expressão de Heitor piorou ainda mais.
Ele virou a cabeça, recusando-se a olhar para as duas, deixando sua atitude muito clara.
Ele pretendia não dizer nada, mas, temendo que seu pai pudesse ser seduzido por Célia, olhou para Plínio e o ameaçou:
— Papai, eu não quero aquela mulher má como minha mãe. Se você quiser se casar com ela, então pode esquecer que tem um filho! Se você não pedir desculpas à mamãe, eu mesmo irei procurá-la!
Plínio não se manifestou.
Célia, por outro lado, ficou furiosa ao ouvir as palavras de Heitor.
Mas aquele não era o momento para ela ter um ataque de raiva.
Ela se aproximou de Heitor com um sorriso.
— Heitor, a tia Célia errou antes. A tia foi maltratada lá fora e não conseguiu controlar o temperamento, por isso agi daquela forma com você. A tia Célia te pede desculpas. Desculpe, Heitor, você pode me perdoar?
Heitor se esquivou para evitar o toque de Célia.
— Antes, quando a mamãe se sentia injustiçada, ela nunca descontava em mim. — Disse ele.
A mensagem implícita era que Célia não se comparava à sua mãe.
Em seu íntimo, Célia o amaldiçoou.
Ela não era a mãe biológica daquele pirralho, como poderia não descontar nele?
O filho daquela vadiazinha era mesmo um ingrato sem coração.
E pensar que ela já o havia bajulado tanto!
Seu rosto assumiu uma expressão de mágoa e ela olhou para Plínio.
Normalmente, em momentos como esse, Plínio não suportaria vê-la magoada e, mesmo que simbolicamente, repreenderia Heitor.
Mas agora, Plínio nem sequer lhe dirigiu o olhar.
Plínio olhou para Miriam.
— Mãe, por que você veio?
Miriam se aproximou da cama do hospital, olhando para o filho com o coração apertado.
— Se eu não viesse, você pretendia esconder de mim que sofreu um acidente de carro?


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