Virei as costas e saí de lá com passos firmes, como se a sola do meu sapato queimassem só por estar pisando naquele maldito lugar.
—Quem ele pensa que é? Não existe só essa empresa para eu trabalhar...- Resmunguei percebendo alguns olhares sobre mim. E então, respirei fundo e continuei a andar, mantendo a Charlie em meu colo.
Antes que eu chegasse nas enormes portas de vidro da entrada principal do prédio, ouvi meu nome ser chamado.
—Ellie! – Chamou Félix com um pouco de desespero em seu tom de voz. —Por favor, espere! Preciso falar com você.
Me virei lentamente, vendo-o me alcançar.
—Por favor, desconsidere tudo o que aconteceu antes e faça essa entrevista. Você precisa do emprego e nós precisamos de uma pessoa com as suas qualificações. – Disse ele, tentando ser convincente.
E antes que ele buscasse por mais palavras, ele completou:
—Você me pediu por essa oportunidade. Disse que precisava dela e eu me compadeci com a sua história e te dei essa chance. Acredito que você não vai encontrar nenhuma empresa que pague melhor do que nós. E me parece que você está precisando de dinheiro agora, não é mesmo?
Ele tem razão.
—Tudo bem eu farei, mas com uma condição...Se ele maltratar a minha filha de novo, eu não vou precisar desse emprego.
—Sem problemas! – Disse Félix ajeitando a postura, esticando o braço para os elevadores, deixando com que um breve sorriso aparecesse no canto dos lábios. —Eu cuido dessa princesa enquanto vocês conversam. Não se preocupe!
Assenti e olhei para Charlie, exibindo meu sorriso.
Entramos todos no elevador e assim que as portas metálicas se abriram, saímos e eu me abaixei até ela a acariciando no rosto.
—Querida, por favor, fique quietinha. Eu preciso que se comporte dessa vez.
Assim que falei, Charlie me olhou com um semblante de medo.
—Mamãe, você vai demorar? E o meu sorvete?
—Prometo que não demoro. Assim que saímos, eu te comprarei um bem grande de chocolate, combinado? – Perguntei a vendo assentir com um balanço de cabeça, exibindo seus lindos olhos grandes, brilhantes.
—Tá bom! – Disse ela, segurando a mão de Félix, mostrando ainda um pouco de receio.
Sorri para ela tentando passar um pouco de confiança e voltei para o corredor.
Ele me deixou na porta, deu duas batidas e se retirou.
Em seguida, a voz soou com um timbre grave, mas dessa vez, a arrogância parecia ter desaparecido como mágica.
—Entre! – Disse David.
Abri a porta vagarosamente, dando espaço para que eu entrasse.
A sala era idêntica ao humor dele; paredes cinzas, o vidro com a vista aos prédios altos do lado era fumê e o clima tão pesado quando um caminhão de concreto.
—Com licença! – Falei indo até ele o vendo apontar para a cadeira.
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