Clarinda dizia da boca para fora que o 1152 era apenas um paciente admitido pelo Laboratório C.
Mas Juliana não ignorava a verdade por trás daquilo.
O Laboratório C nunca aceitava cobaias sem valor de pesquisa.
Se o 1152 não tivesse nada de especial, nem teria tido a chance de entrar no Laboratório C.
E a razão pela qual Juliana estava tão certa de que o 1152 participara do Projeto Imortalidade era porque ela descobriu um código marcado no tornozelo dele.
Na época, o número de cobaias que participaram do Projeto Imortalidade chegava a cento e quarenta pessoas.
Cada um teve um código marcado no tornozelo.
Começava com BS, seguido pelo número correspondente.
No Laboratório C, seu código era 1152.
No Projeto Imortalidade, seu código era BS009.
O 1152 era realmente desafortunado; passou a vida inteira contribuindo para experimentos.
Vendo o brilho nos olhos de Juliana, Gedeão ficou genuinamente feliz por ela.
— Então você não volta para a Baía Azul hoje à noite?
Juliana respondeu:
— Não. O extrato de DNA recém-adquirido pode fazer com que o experimento que venho conduzindo rompa barreiras.
Gedeão tomou uma decisão quase sem hesitar.
— Eu fico com você.
Juliana ficou atônita por alguns segundos.
— Eu não sou uma criança de três anos. Preciso de companhia para fazer um experimento?
— Volte para casa. Não sei até que horas vou ficar ocupada, provavelmente não descansarei antes do amanhecer.
A atitude de Gedeão foi muito firme.
— Verifiquei a previsão do tempo, pode chover nos próximos dias.
Juliana retrucou:
— Não tem problema. Nesta casa tem uma câmara fria. Se trovejar, posso me esconder lá dentro.
A câmara fria da Villa Serena era o único lugar sem janelas; ela não precisava se preocupar em ser atingida por um raio.
Gedeão não pôde deixar de jogar um balde de água fria nela.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha Esposa Tem Muitas Identidades Secretas