Bruna ainda quis dizer algo, mas Lívia a interrompeu imediatamente.
“Já chega, Bruna. Seu irmão está nervoso, não vale a pena discutir com Lavínia agora. Espere essa situação passar para falar sobre isso.”
Na verdade, sobre o que acabara de acontecer, Lívia também estava aborrecida por dentro.
Ela dissera aquelas palavras a Roberto de propósito, querendo se exibir diante de Lavínia e mostrar o quanto era especial para ele.
No entanto, Roberto não lhe dera a menor atenção.
Mas Roberto sempre fora assim, então ela não podia reclamar muito.
Um dia, ela conquistaria o coração de Roberto e ele a trataria como um verdadeiro tesouro!
“Entendi, Lívia. Você viu, né? Essa Lavínia é realmente insuportável...”
Enquanto subia as escadas, Bruna continuou falando mal de Lavínia, sem parar.
Ela falava e, constantemente, virava-se para lançar olhares fulminantes em direção a Lavínia.
Aquele olhar rancoroso parecia capaz de atravessar Lavínia a qualquer instante.
Lívia, por sua vez, permaneceu ao lado de Bruna, tentando acalmá-la.
À medida que as duas subiam, suas vozes iam se afastando cada vez mais.
Lavínia desviou o olhar das duas e, ao se virar, percebeu que Roberto a observava fixamente.
“Olha, independentemente de eu ter feito de propósito ou não, o fato é que, com ou sem você atrás de mim, eu sairia do caminho. Ou eu deveria ficar parada, vendo sua irmã jogar um copo em mim, me insultar, como se eu fosse uma tola?”
Roberto semicerrrou os olhos. “Então, pelo visto, a culpa é da vítima aqui?”
Lavínia soltou um leve riso, ergueu o queixo e sustentou o olhar de Roberto com firmeza e dignidade.
“Tá bom, tá bom, eu fiz de propósito, admito. E daí? O que você vai fazer? Vai me expulsar da família Lourenço, ou me obrigar a ficar trancada no quarto, igual sua irmã? Parece que, por enquanto, você não pode fazer nenhuma dessas coisas, certo? Então, pra que perguntar algo cuja resposta já sabe? Não acha isso um pouco inútil?”
A língua afiada de Lavínia deixou Roberto desconcertado, e ele massageou as têmporas, sentindo dor de cabeça.
“Não quero fazer nada. Só quero saber, por que fez isso?”
“Uma pergunta tão óbvia e ainda precisa ser feita?” Lavínia olhou para Roberto como se ele fosse ingênuo, fez uma pausa e continuou: “É claro que sua irmã me provocou e eu precisei revidar, não é? Não sou nenhuma santa. Se ela me ataca, eu ataco você. Afinal, você não consegue controlar sua irmã mimada e arrogante!”

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