Quando Julia Mendes chegou ao hospital, já estava anoitecendo.
Pegou trânsito, andava rápido, quase tropeçou nas escadas da porta do hospital, perdeu o equilíbrio e bateu o cotovelo no batente.
Não ligou para a dor e entrou depressa.
Uma hora atrás, Lucas Campos havia ligado: — A Alie está com gastroenterite aguda, estamos no Hospital Central.
Por mais que a filha continuasse magoando, eram do mesmo sangue; e após a gestação e o cuidado que ela teve ao longo de cinco anos, ela não conseguiu simplesmente ignorar o que estava acontecendo.
Após criar a filha por seis anos, ela conhecia bem o estado dela. Assim que desligou a ligação, a primeira coisa que fez foi preparar um mingau especial para o estômago, e chegar a tempo do jantar da filha.
Ela chegou à porta correndo e ia empurrá-la.
Pela fresta, ela via Alice Campos deitada na cama do hospital com roupas de paciente. O rosto estava pálido, tinha uma agulha na mão e ela parecia ter emagrecido.
O coração de Julia Mendes apertou, e quando foi abrir a porta, ouviu conversas.
— Mamãe, não quero comer isso, é amargo.
A voz da filha estava arrastada, com tom de choro.
Julia Mendes paralisou na porta.
Quem ela estava chamando de mamãe?
Ao colocar a cabeça para olhar, viu Larissa Lacerda perto da cama com uma tigela na mão e uma colher na outra. Estava soprando a comida e levando à boca de Alice Campos.
— Alie, seja boa menina, você está doente e tem que comer coisas leves. Quando ficar boa, eu te levo para comer coisas gostosas.
A voz de Larissa Lacerda soava gentil; quem não soubesse, acharia que eram mãe e filha.
— Está bem, eu obedeço a mamãe.
Alice Campos engoliu o que estava na colher, comendo com esforço, mas mesmo assim sorriu e disse: — Está gostoso.


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