O olhar frio de Ernesto passou pelos dois, enquanto seus dedos apertavam levemente o telefone, as veias das mãos saltando sob a pele.
“Então, esse é o seu perfume natural?” César sorriu discretamente, respirando fundo, enquanto seus olhos deslizaram para o decote da camisa dela.
Ao encarar aqueles olhos descarados e lascivos, Samara sentiu vontade de enfiar a caneta que segurava direto no nariz dele.
O sorriso dela foi desaparecendo pouco a pouco, enquanto ela perguntava com voz pausada: “O que foi? As dezoito namoradas do Sr. Ferro não cuidaram bem de você?”
“É verdade, nenhuma delas chega aos seus pés.”
César soltou um riso abafado e segurou o pulso dela sem conseguir evitar. “Quero que você seja a minha décima nona, pode ser?”
Absurdo ao extremo.
Samara chegou a sentir tanto asco que quase vomitou o café da manhã.
Ainda assim, manteve-se especialmente calma: “Aqui é a sala de reunião, Sr. Ferro, o senhor quer mesmo resolver isso aqui?”
Ela chegou a dizer algo tão provocante com tanta naturalidade, que César lambeu os lábios secos, quase perdendo o controle: “Estou hospedado no Hotel Praia Dourada, que tal a Sra. Vieira passar no meu quarto esta noite para conversarmos?”
Samara arqueou as sobrancelhas em meia-lua: “Que pena, esta noite tenho jantar com o Sr. Siqueira.”
Ela o estava lembrando de que era mulher de Ernesto.
Alguém fora do alcance de César.
“É mesmo? Pense bem, Sra. Vieira...”
César não se deixou enganar tão fácil e, deslizando os dedos pelo dorso da mão de Samara, apontou lentamente para o ventre plano dela.
“Que coincidência, ontem à noite também fui ao cemitério, e ouvi você contando uma boa notícia ao seu irmão. Meu olfato não é bom, mas minha audição é excelente...”
Com um “clique”, a caneta escapou das mãos de Samara!
A expressão perfeita e delicada dela, se desfez como vidro em pedaços.
César ergueu as sobrancelhas, satisfeito: “E se Ernesto souber disso, você acha que seu irmão, reencarnado aí na sua barriga, ainda vai poder te ver?”
Os ouvidos de Samara zumbiram, ela fechou os punhos com força, a raiva latente em sua voz: “César, está me ameaçando?”
O silêncio tomou conta do ambiente, olhares surpresos e intrigados recaíram sobre eles.
Todos sabiam que César andava em alta ultimamente, mas não esperavam que tivesse coragem de desafiar o Sr. Siqueira de forma tão ousada, esquecendo quem realmente era.
Melina, por sua vez, viu ali uma boa oportunidade. Girou os olhos e comentou em voz baixa, instigando: “Hoje à noite marquei um jantar à luz de velas com o Sr. Siqueira, a Sra. Vieira deve estar livre para acompanhá-lo.”
Ernesto franziu ligeiramente as sobrancelhas, lançando um olhar frio e escuro para Samara.
Samara, de cabeça baixa, os olhos avermelhados, manteve os lábios cerrados em silêncio.
Ele não sabia que ela estava sob uma ameaça terrível.
Só sabia que aquela aparência delicada e sedutora dela sempre atraía os homens.
De forma inexplicável, sentiu a irritação se acumular no peito.
Após um breve silêncio, Ernesto fechou a caneta com desdém e bateu-a com força sobre a mesa: “O tempo da Sra. Vieira depois do expediente não é da minha responsabilidade.”
Depois, lançou um olhar sombrio para Samara: “Se a Sra. Vieira quiser acompanhá-lo, não vou impedir.”

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