Ela não mediu esforços para que Alessandra continuasse dançando.
Naquela época, ela insistiu em seguir o caminho artístico, mas não recebeu apoio da família; seus pais sempre a pressionaram para se casar e ter filhos.
Ela mesma não conseguiu se proteger.
Por isso, quando Alessandra enfrentou dificuldades, ela também se viu de mãos atadas, apenas pôde assistir enquanto Alessandra abandonava a dança.
Agora, a situação era diferente.
O irmão dela passou a comandar a família Nogueira; assim, ela conseguiu proteger Alessandra.
Era como se o destino tivesse concedido uma nova chance.
Ao encarar o rosto jovem e ingênuo de sua aluna querida, Raíssa afirmou com sinceridade: “Alessandra, não precisa se sentir pressionada. Sei que ainda está estudando e precisa se preparar para o ENEM, não vou tomar seu tempo. Venha apenas quando puder.”
“Pode esperar até o ENEM acabar para se apresentar no palco. Não faço nenhuma exigência a mais!”
A respeitável mãe da dança clássica, presidente do grupo Celestina do Sol, filha mais velha da tradicional família Nogueira de Altavista.
Raíssa manteve-se sempre elegante e digna.
No entanto, naquele momento, sua voz soou sincera, quase humilde.
Todos ficaram muito surpresos.
Kleber, ainda mais.
Jamais vira a irmã daquele jeito.
Mas, ao pensar melhor, não era de se estranhar.
A irmã sempre foi uma apaixonada insana pela arte.
Ela foi capaz até de sacrificar um casamento!
Quando voltou o olhar para Alessandra, Kleber se lembrou dela.
Naquela época, o estúdio de dança da irmã ficava em Altavista; ele a visitou e, por acaso, Alessandra estava lá também.
Aquela menina era realmente talentosa, além de ser simpática e animada.
O filho dele, Benício Nogueira, tinha apenas dois anos e, depois de conhecê-la uma vez, passou a gostar muito dela, sempre pedindo para encontrá-la.
Porém, Kleber percebeu algo estranho.
Por que aquela garota ainda parecia tão jovem?

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