Cecília Tavares estava com o coração cheio de sentimentos contraditórios. Ela e Raul Rocha não eram parentes nem nada, e mal se conheciam.
Raul estava disposto a ajudar e a cuidar de sua segurança por consideração a seu irmão, e ela, naturalmente, sentia-se grata por isso.
Mas Cecília não era nenhuma inválida. Ela não pegou a mão que Raul lhe ofereceu, soltando o cinto de segurança por conta própria. Sua voz, clara e melodiosa, soou com uma recusa suave.
— Obrigada, mas não precisa. Eu sei me cuidar.
Raul baixou lentamente os cílios, e um brilho obscuro e indecifrável cintilou em suas pupilas negras.
Depois de um momento, ele riu baixo: — A princesa Tavares não confia em mim?
— Não é isso... — Cecília não sabia como explicar. — É que eu sinto que...
— Sente que sou um estranho e não quer me incomodar.
Raul se endireitou, sem forçar a situação. Em vez disso, passou a língua nos dentes, e uma risada baixa escapou de sua voz rouca e magnética.
— Nós nos conhecemos desde pequenos, podemos ao menos dizer que somos amigos, não acha?
Raul a encarou fixamente e disse com displicência: — Apenas me veja como um amigo comum. Não pense demais e cuide bem da sua gravidez.
Raul tirou dois molhos de chaves do bolso, entregou um a ela e sorriu. — Seu irmão alugou dois apartamentos para você. Eu vou morar no da porta ao lado, não com você.
— Se precisar de alguma coisa, é só bater na minha porta ou me ligar, que eu venho até aqui.
Enquanto falava, Raul abriu o porta-malas para pegar a bagagem dela.
A voz do rapaz, ainda juvenil e preguiçosa, soou com um toque de indiferença, vindo lentamente da parte de trás do carro.
— A Cidade da Liberdade vai ficar um caos por sabe-se lá quanto tempo. Princesa Tavares, nos próximos meses, espero que nos demos bem.
Cecília apertou instintivamente a chave na palma da mão, baixando lentamente seus cílios longos e densos.
Nesse ritmo, era bem capaz de seu filho nascer no exterior.
Ao ouvir que Cristiano Tavares iria cobrir as despesas, ela se sentiu instantaneamente mais à vontade para aceitar.
Mas Cecília ainda se sentia um pouco constrangida em deixar Raul cuidar dela. Afinal, ele era o segundo jovem mestre da Família Rocha, não uma babá contratada. A situação parecia inadequada.
Cecília pensou um pouco e disse: — Faça o que tiver que fazer no seu dia a dia, não se preocupe comigo. Vou ficar em casa, não vou sair por aí. Se precisar de algo, eu te ligo.
Ao ouvir isso, as pupilas escuras de Raul se aprofundaram um pouco. Ele riu baixo, sem dizer nada.
Ele percebia que Cecília mantinha uma atitude distante e fria em relação a ele.
Provavelmente por causa do recente fracasso de um relacionamento, um fracasso que a feriu profundamente. A jovem estava agora com a guarda muito alta, tratando a todos com indiferença.
No momento, era realmente difícil para ela confiar em alguém novamente, incluindo amigos com quem não tinha muita intimidade.
Raul baixou lentamente os cílios. Do seu ângulo, ele podia ver o topo da cabeça da jovem, com seus cabelos finos e escuros.
Ela estava ali, parada em silêncio, com uma expressão serena, sem o brilho alegre e sorridente de antes. Estava tão dócil que partia o coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...