Amada ficou atônita, seus lábios pálidos e sem cor tremiam. Inconscientemente, perguntou:
— O que você quer dizer com isso?
Cecília fez uma pausa, arqueou suas lindas sobrancelhas e sorriu.
— O que eu quero dizer não está óbvio? Então, vou deixar mais claro.
— Você, na minha vida, na minha história, em todo o meu mundo, é simplesmente insignificante.
Cecília disse, impassível, palavra por palavra:
— Você é apenas uma passageira insignificante na minha longa jornada.
— Você achou que eu te odiaria, que me lembraria de você para sempre, que viveria com raiva e dor por sua causa.
— Que pena. Lamento, mas você se enganou. Não se ache tão importante. Quem você pensa que é?
Cecília sorriu, mas o sorriso não alcançou seus olhos. Seu tom de voz era indiferente.
— Amada, a verdade é que...
— Não vai demorar muito para eu esquecer completamente da sua existência e começar uma nova vida.
— E você, ficará presa para sempre, pagando por seus pecados pelo resto da vida.
Amada a encarou, atordoada, demorando muito tempo para voltar a si.
As palavras de Cecília, uma a uma, eram como tapas invisíveis no ar, atingindo seu rosto com força, repetidamente.
Deixando-a humilhada, fazendo seu rosto arder em dor, uma dor que se espalhava por seus membros como agulhas, tão intensa que seu coração parecia se partir.
Amada começou a ofegar, com dificuldade para respirar.
Ela cerrou os dentes com força, os olhos arregalados, as veias saltando em sua testa, o que tornava seu rosto, já emaciado a ponto de estar irreconhecível, feroz e assustador, como um fantasma vingativo subindo do inferno.
Seu corpo inteiro tremia, não se sabia se de raiva ou de medo.
Depois de um longo tempo.
Mas também tinha um orgulho extremo.
Essas duas características contraditórias se misturavam nela e, somadas à infelicidade de sua infância, distorceram sua personalidade desde cedo, levando-a a fazer muitas coisas que ela mesma não conseguia controlar.
Cecília baixou o olhar para ela e, após um longo silêncio, disse de repente em voz baixa.
— Amada.
— ...Como você é digna de pena.
Amada soltou uma risada de desdém, desafiadora. Olhou para ela com frieza, com um ar de quem sabe de tudo:
— Quem é digna de pena é você.
— Cecília.
— Fernando... foi você quem o matou!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...